Governo libera R$ 3 bilhões do FAT para pagar dívidas de fazendeiros

Tratores param trânsito em Brasília
Walter Campanato / Ag. Brasil

Enquanto recebe ruralistas de braços abertos, governo aumenta repressão contra os servidores em greveAo mesmo tempo em que recrudesce a repressão contra o movimento de greve dos servidores públicos federais, Lula anunciou a liberação de R$ 3 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para financiar fazendeiros endividados. Cerca de 15 mil produtores rurais chegaram em Brasília nesta terça, dia 28 de junho, para uma série de manifestações na Esplanada dos Ministérios, exigindo ainda mais subsídios do governo federal.

Após dois dias de manifestações, com direito a “tratoraço”, Lula recebeu, no final da manhã desse dia 29 de junho, uma comissão composta por representantes da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) e parlamentares da bancada ruralista.
Para esta quinta, dia 30, está agendada outra reunião entre representantes dos fazendeiros e os ministros Antônio Palocci e Roberto Rodrigues, da Agricultura. Os fazendeiros vão pressionar o governo a conceder mais R$ 2 bilhões da linha de crédito do FAT.

O Fundo de Amparo ao Trabalhador é um fundo administrado pelo Ministério do Trabalho e destinado, pelo menos oficialmente, a custear o programa do seguro-desemprego, do abono salarial, além de financiar programas de desenvolvimento econômico. No entanto, para o governo Lula, desenvolvimento econômico é sinônimo de maior lucro para os latifundiários.

Governo dos latifundiários
Enquanto o governo concede bilhões para fazendeiros ante a mínima pressão dos ruralistas, os servidores públicos federais amargam anos de arrocho e sucateamento. Somente este ano os servidores realizaram duas grandes marchas a Brasília e nunca foram sequer recebidos por Lula ou Palocci. Raramente são recebidos por ministros, sendo na maioria das vezes enrolados por secretários do governo.

Foi o caso da rodada de negociações entre representantes dos servidores e o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, nesse mesmo dia 29. O secretário afirmou novamente que o governo não dispõe de recursos para garantir um reajuste aos servidores superior ao ridículo 0,1%. Mendonça também disse que o governo não iria negociar nada antes de setembro, dois meses depois da aprovação da Lei de Orçamento Anual, que define os investimentos do governo no ano seguinte.

Como se não bastasse mentir para os servidores ao argumentar falta de recursos, o governo ainda reprime os trabalhadores em greve. Além de ameaçar cortar o ponto dos grevistas, o governo vem tratando a greve como caso de polícia, com recorrente repressão policial às manifestações da categoria.

O acampamento se servidores foi desmontado em Brasília pela polícia, durante a Semana Nacional de Mobilização, fato que não ocorreu nem mesmo durante os governos ditatoriais. Nesse dia 28 de junho, seguranças do Congresso agrediram servidores públicos que tentaram entrar no plenário da Câmara para conversar com parlamentares.

Essa é a orientação do governo Lula, enquanto chafurda no mar de lama da corrupção: bilhões para fazendeiros e polícia para os trabalhadores.

Estranha solidariedade do P-SOL
Um fato no mínimo estranho ocorreu durante as manifestações dos ruralistas nesse dia 29 em Brasília. A organização da manifestação perdeu o controle do protesto e alguns fazendeiros postaram seus tratores em frente ao Congresso Nacional, dando início a um princípio de tumulto com a polícia. Uma comissão parlamentar foi então formada para intermediar uma negociação entre fazendeiros e o governo.

A comissão contava com a presença dos senadores Eduardo Suplicy (PT), Sérgio Guerra (PSDB), Jonas Pinheiro (PFL), além da inusitada presença dos parlamentares do P-SOL, a senadora Heloísa Helena e o deputado Babá. Os parlamentares acalmaram os manifestantes ao dizer que iriam ao Planalto “negociar mais benefícios”.