Dois projetos estarão em disputa no congresso dos petroleiros

Direção da federação quer se somar à campanha em defesa do governoEntre os dias 1º e 3 de julho, cerca de 180 delegados de todo o país estarão reunidos em São Paulo, no XI Congresso da Federação Única dos Petroleiros (CONFUP). Nos dois dias que antecedem o Congresso acontece um Seminário sobre petróleo.

O Congresso acontece 10 anos após a histórica greve petroleira, que enfrentou o governo Fernando Henrique em 1995. Um importante contraponto em relação ao rumo que o movimento sindical tomou nos últimos 10 anos e o papel que suas direções exercem hoje. A direção cutista da federação, apesar dos escândalos de corrupção e das reformas em pauta, defende a agenda do governo Lula, como se este tivesse interrompido e não ampliado a aplicação dos planos neolibeais de FHC. A Articulação Sindical vai fazer de tudo para abafar os escândalos do governo, provavelmente com a tese do “golpe de direita“ e vai querer se juntar a CUT, UNE e MST nesta cruzada inglória para tirar o PT da lama.

O seminário servirá como um bom momento para a FUP e a direção da Petrobrás, de braços dados com o governo, exercitarem todo seu palavreado moderno (que os ex-sindicalistas e neopelegos praticam como ninguém) para, no final das contas, defenderem uma Petrobras privada, uma grande multinacional a serviço do sub-imperialismo do governo Lula.

Não ao 7º leilão
Um dos principais pontos a serem definidos no congresso é a pauta de reivindicação da próxima campanha dos empregados da Petrobras, que têm data-base em setembro. A direção da FUP propõe adotar como referência de negociação o atual acordo coletivo, jogando fora a chamada “pauta histórica“ da categoria.

Outra questão de máxima importância será a luta contra os leilões das reservas petrolíferas, que continuam a ser impostos pelo governo Lula. O 7º leilão, que está previsto para outubro. Os militantes do PSTU defendem uma campanha imediata pela anulação dos anteriores e pela suspensão dos leilões que estão por vir. Uma campanha que aponte claramente para a retomada do monopólio do petróleo e por uma Petrobras 100% estatal e não apenas defendendo remendos na Lei do Petróleo, como querem os governistas.

Disputa na base
Os sindicalistas ligados à Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) estarão tentando unir forças para lutar pela pauta histórica da categoria, contra as reformas neoliberais, os leilões e a corrupção. Atualmente, há agrupamentos da oposição empenhados na construção da Conlutas em cerca de 10 bases. O Sindipetro de Alagoas e Sergipe já rompeu com a CUT e filiou-se à Conlutas e o Sindipetro de Pará, Amapá, Amazonas e Maranhão recentemente se desfiliou da CUT.

O peso da burocracia é bastante grande, mas não necessariamente reflete o que se passa na base, como vimos em campanhas reivindicatórias passadas e na recente votação da PLR, onde a corrente majoritária da FUP foi derrotada. Assim sendo, o mais importante neste período nem é tanto o Congresso em si, mas a disputa que se dará na base em seguida, pois, independente do que o Congresso aprovar, a pauta tem que ser aprovada em assembléias. E mais do que defender a pauta nas assembléias, vamos ter que tirar o poder decisório da cúpula da FUP, pois não seria a primeira vez que os conchavos com a direção da empresa valeriam mais que a decisão da categoria.

Por isso, vamos para o congresso já pensando na volta, quando organizaremos a Oposição para defender um Comando Nacional de Mobilização eleito na base da categoria. Esta é a chave da democracia e de uma negociação baseada na luta. A FUP não fala em nosso nome!

Internacionalismo
O congresso também terá como ponto alto a proposta, que levantaremos, de uma uma forte campanha de solidariedade ao povo e à revolução boliviana e pela estatização sem indenização da Petrobras naquele país. Hoje a empresa brasileira atua como uma multinacional, se chocando com a reinvidicação do povo boliviano de nacionalização do gás e do petróleo. Depois de dertrubarem dois presidentes, o repúdio dos bolivianos à multinacional brasileira tende a aumentar, depois que a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, `terceirizou` para o Brasil e a Argentina o acompanhamento da situação do país.

Além da moção, que já foi aprovada em vários sindicatos, queremos enviar uma delegação de petroleiros a Bolívia para que sejam entregues moções de apoio às organizações operárias e camponesas deste país. Ainda durante o evento, os petroleiros do PSTU farão um debate com Alejandro Iturbe, da LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores), sobre a luta pelo petróleo na América Latina. O evento será no sábado, às 18h30, no Hotel Jaraguá, sede do congresso.