Governo do Equador cria estado de sítio em Quito contra protestos

Decreto de Lucio Gutierrez e dos militares foi transmitido pela tv
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Na noite desta sexta-feira, dia 15 de abril, o presidente Lucio Gutierrez decretou a dissolução da Suprema Corte de Justiça do Equador e transformou a capital, Quito, e a região metropolitana em zona de segurança. Gutierrez fez o anúncio pela tv, cercado por representantes das forças militares, que ganharam poderes ilimitados para ‘manter a ordem’ na região, inclusive para invadir residências sem mandados judiciais. o decreto 2752 limitou as liberdades civis dos equatorianos, pondo fim ao direito de organizar reuniões e passeatas.

A atitude de Gutierrez é uma tentativa de frear os protestos diários que têm tomado conta da capital desde a paralisação de quarta-feira, 13. Inicialmente convocada por prefeitos e governadores da oposição burguesa ligados a Esquerda Democrática (ID) e por setores do movimento sindical e indígena, os protestos tomaram um caráter de massas e tornaram-se diários. No dia 13, houve 46 focos de protestos, mobilizações e bloqueios de estrada no país, em mais de oito províncias. Na capital, Quito, a paralisação teve um caráter popular, sindical e juvenil, com fortes enfrentamentos com a polícia na região central e em vários pontos da periferia. Ao fim do dia, 40 pessoas foram presas e cerca de 100 ficaram feridas. Por cerca de uma hora, os locutores da rádio independente La Luna convocaram um `cacelorazo` para às 22h. Cerca de 10 mil pessoas atenderam ao chamado e fizeram uma marcha até o edificio da Suprema Corte de Justiça.

Na quinta, 14, e na sexta, 15, os ‘cacerolazos` e ‘serenatas’ se repetiram. Por volta das 21h (horário do Equador), quando Gutierrez fez o pronunciamento pela tv, milhares de pessoas protestavam na capital contra as medidas ditatoriais. O anúncio serviu para que cada vez mais equatorianos assumam ‘Fora Lucio’ e o ‘Que se vayam todos’ e rechacem todos os políticos burgueses e os grandes veículos de comunicação. As manifestações têm assumido um caráter espontâneo, independentes das direções do movimento que, em boa parte, foram cooptadas nos primeiros dois anos do governo.

Suprema Corte
É a segunda vez que Lucio Gutierrez interfere na Suprema Corte. Em dezembro de 2004, aliados do governo no Congresso demitiram todos os seus membros. Os atuais juízes, indicados por Lucio, anularam os processos, a maioria por corrupção, contra os ex-presidentes equatorianos Abdalá Bucaram e Gustavo Noboa e o ex-vice-presidente Alberto Dahik, o que intensificou a crise política do governo.

Protestos continuam
A criação da ‘zona de segurança’ não intimidou os manifestantes. Neste sábado, ao meio-dia, centenas de pessoas protestaram em frente à sede da rádio La Luna, que está servindo como uma espécie de pólo aglutinador dos protestos e que, desde fevereiro, está ameaçada de fechamento pelo governo.

Os militares e a polícia, até agora, não agiram contra os manifestantes.
Segundo agências internacionais, o coronel reformado Jorge Brito, ligado a organismos de direitos humanos, disse que uma tropa teria se negado a acatar uma suposta ordem do general César Ubillús para sair às ruas e controlar as manifestações.

* Colaborou Camilo Salustiano, do Movimento ao Socialismo, partido da LIT-QI no Equador

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