Bolsonaro diz para apoiadores invadirem hospitais e filmarem leitos vazios

O governo Bolsonaro publicou o decreto 11098 reestruturando o organograma do Ministério da Saúde, onde foram extintas as coordenações de saúde mental e de saúde de pessoas com deficiências, subordinando estes setores à secretaria de atenção primária. Isto foi denunciado por movimentos em defesa do SUS e pelo deputado Alexandre Padilha do PT-SP e negado publicamente pelo ministério, através de vídeo de Raphael Câmara, secretário nacional de atenção primária do Ministério da Saúde.

No entanto, basta ler o decreto para constatar que a denúncia é verdadeira, e a negativa do ministério mais uma fake news na longa lista de mentiras deste governo. A notícia em si poderia ser encarada apenas como uma reestruturação na organização do ministério, mas não se trata disso. Em primeiro lugar, mostra uma incompreensão de que a área de saúde mental necessita de interlocução com a saúde básica, mas também com os níveis mais especializados como ambulatórios e enfermarias, além de diálogo com serviços fora da saúde como assistência social, moradia, trabalho e muitos outros.

Além disso, esta visão reducionista da saúde mental está relacionada com todo o projeto de saúde vigente neste governo, de privatização, priorização de serviços por fora da saúde para atendimento do grave problema da drogadição (através das tristemente famosas comunidades terapêuticas ligadas às igrejas ou parlamentares), além do enfraquecimento do atendimento em rede nos casos da pacientes psiquiátricos.

Ainda pior é o contexto geral em que vem esta mudança. A pandemia de Covid provocou um aumento de casos de depressão, ansiedade, fobias e consumo abusivo de álcool e outras drogas, tanto pela necessidade do distanciamento social quanto pela crise econômica e de desemprego e inflação, além das perdas de vidas humanas e sequelas da covid longa.

Nesse sentido, nos somamos a aqueles que fizeram a denúncia e exigimos do Ministério da Saúde um tratamento mais humano na área de saúde mental e também de pessoas com deficiências.