Fundos de Pensão participaram ativamente de privatizações

Os Fundos de Pensão das empresas estatais foram criados para garantir a aposentadoria complementar dos empregados dessas empresas. Os três maiores fundos são a Previ, do Banco do Brasil; a Petros, dos funcionários da Petrobras; e a Funcef, da Caixa Econômica Federal. Só o patrimônio da Previ, o maior do país, supera R$ 43 bilhões.

Seus recursos deveriam garantir uma aposentadoria digna a milhares de trabalhadores, entretanto, são investidos no cassino das Bolsas de Valores, sujeitos a toda espécie de variações especulativas.

Os fundos colaboraram ativamente no processo de privatização das estatais. A participação acionária nessas empresas e, portanto, seu lucro, é o que assegura a rentabilidade dos fundos. Claro que, para isso, apoiaram as medidas pós-privatização: demissões em massa, arrocho salarial e precarização das relações de trabalho. Ou seja, toda sua renda está calcada da superexploração do trabalho.

Metade da carteira de ações da Previ, por exemplo, é composta por empresas que foram privatizadas. Sua participação ativa no programa de privatizações lhe rendeu parte das ações de 11 ex-estatais, o que proporciona um rendimento milionário. Além disso, a Previ possui em torno de R$ 15 bilhões na Bolsa de Valores. Se ela resolver sair do negócio, a bolsa quebra.

Durante a privatização da Vale do Rio Doce, “doada” pelo governo FHC por R$ 3,3 bilhões, ao consórcio liderado pelo empresário Benjamin Steinbruch, a Previ entrou com a metade do valor da compra. Nesse episódio, o então deputado federal pelo PT, Aloísio Mercadante, aconselhou os diretores petistas da Previ a comprarem ações da empresa, sob o argumento de que aquela devia continuar nas mãos de empresários brasileiros.

O governo FHC também utilizou o dinheiro da Previ para garantir a meta de superávit com o FMI. O pagamento da dívida do Imposto de Renda da Previ, no valor de R$ 1,7 bilhão, foi o que permitiu ao governo cumprir o superávit de 2002.

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