França: Macron retrocede e suspende aumento dos combustíveis

Depois de mais de duas semanas de fortes manifestações, o Palácio do Eliseu, através do primeiro-ministro Édouard Philippe, anunciou a “suspensão” por seis meses do aumento dos preços dos combustíveis, previsto para 1º de janeiro. Philippe também anunciou que, durante o mesmo período, as tarifas de gás e eletricidade não aumentariam. Esta é uma demonstração nítida da força dos protestos e que este é o caminho para derrotar o plano de austeridade de Macron e da União Europeia.

O insólito recuo de Macron, que sempre se gabou de que não seria intimidado pelas “as ruas” só pode ser explicado pela imensa força da onda de protestos chamados coletes amarelos que sacudiram Paris e impactaram o mundo

O governo, evidentemente, espera que esta medida acalme os manifestantes, que segundo as pesquisas têm a simpatia de 70% dos franceses. Mas isso ainda vamos ver. O movimento, embora tenha se iniciado por causa da política dos combustíveis, há muito tempo superou essa reivindicação e aumentou suas demandas. E mais e mais setores sociais foram aderindo.

Os manifestantes também exigem que os mais pobres e as classes médias paguem menos impostos e, por sua vez, que grandes fortunas sejam taxadas. Além disso, exigem um aumento do salário mínimo e muitos vão além e exigem a renúncia do próprio presidente Macron. Nos últimos dias, os estudantes também se juntaram.

Reiteramos: esta é uma primeira e muito importante vitória parcial. Mas a luta deve permanecer tão firme quanto até agora. Sabemos que o aumento dos combustíveis é apenas parte de um amplo plano de ataques à classe trabalhadora, como a reforma trabalhista e a reforma das linhas de trem público. É necessário continuar nas ruas, não deve haver desmobilização, é preciso continuar a pressão. Só então vamos mudar as coisas. A classe trabalhadora e o povo francês mostram o caminho para os trabalhadores da Europa e do mundo.

Tradução: Lena Souza