EUA: A república dos mentirosos

Estudo mostra que governo Bush mentiu mais de 900 vezes sobre a invasão do IraqueNão é novidade que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush utilizou – e ainda utiliza – a mentira como um método para impor o terror imperial sobre o mundo. A novidade é que um grupo de pesquisadores resolveu quantificar as mentiras desse governo. De acordo com um estudo do Centro pela Integridade Pública e do Fundo pela Independência no Jornalismo, o atual governo norte-americano fez 935 declarações falsas entre 2001 e 2003. A maioria delas era a respeito da justificativa para invadir o Iraque, que supostamente possuía “armas de destruição em massa” e que o país ainda tinha laços com a Al Qaeda.

O estudo ainda conclui que as declarações foram “parte de uma campanha orquestrada que galvanizou a opinião pública e, no processo, levou o país à guerra sob pretextos incontestavelmente falsos”. A pesquisa também não poupou a imprensa do país que topou o esdrúxulo papel de reproduzir as mentiras oficiais. “Alguns jornalistas e organizações noticiosas admitiram que sua cobertura nos meses que precederam a guerra foi deferente e acrítica demais”. Infelizmente, o estudo não aprofundou a espúria relação governo/imprensa, cujo ponto alto se deu na própria invasão do Iraque, quando jornalistas “embutidos” marcharam lado a lado com o exército invasor.

Bush encabeça a lista com 259 mentiras. Outros falcões da Casa Branca completam a relação. Muitos deles já caíram em função do enfraquecimento da atual administração, como o ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld, o ex-secretário de Estado Colin Powell, e o ex-secretário-assistente da Defesa Paul Wolfowitz. Outros que têm a boca suja pelas falsidades continuam na linha de frente em Washington, como é o caso do vice-presidente, Dick Cheney, e da secretária de Estado, Condoleezza Rice.

Em plena campanha mentirosa para invadir o Iraque, o ex-embaixador norte-americano Joseph Wilson escreveu para o jornal The New York Times revelando que havia alertado a CIA de que não houve qualquer tentativa do governo de Saddam Hussein de comprar urânio para produzir armas nucleares. Ainda assim, Bush utilizou explicitamente este suposto fato, num discurso proferido no Congresso dos EUA, para provar que o Iraque representava uma “ameaça à humanidade”.

Os dados da pesquisa parecem contundentes, mas são limitados. Todos sabem que o governo Bush mentiu pelo menos dez vezes mais ao longo de toda sua gestão.

Suas novas velhas (e nada originais) mentiras agora são dirigidas contra o Irã – o mais novo “detentor” de armas de destruição em massa – para justificar uma possível invasão. Além disso, tem as mentiras sobre Israel, Palestina, economia…

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