Estudantes vão às ruas de Maceió contra aumento de passagem

Policiais tentam impedir passagem dos estudantes

Na última quinta-feira, 4 de janeiro, cerca de 200 estudantes tomaram mais uma vez a principal avenida de Maceió para lutar contra o aumento da tarifa de ônibus, de R$ 1,60 para R$ 1,75. O ato começou às 8h da manhã em frente ao CEPA (Centro Educacional de Pesquisa Aplicada) e seguiu por toda a Avenida Fernandes Lima, passando pela prefeitura e terminando na porta da Câmara Municipal, por volta do meio-dia.

Com faixas e um carro de som, os estudantes denunciaram o abusivo aumento de passagem anunciado pelo prefeito Cícero Almeida (PTB), aliado de um dos maiores exploradores do povo de Alagoas, o usineiro João Lyra. O Movimento Contra o Aumento da Passagem e pelo Passe-livre, formado por várias entidades estudantis e de trabalhadores, já havia realizado outras manifestações no fim de 2006 convocando todos os estudantes e trabalhadores a barrar o criminoso aumento exigido pela máfia dos empresários do transporte público.

“Abaixo a repressão!”
Como era de se esperar, a polícia esteve presente e provocou vários momentos tensos durante a manifestação. Quando a marcha se aproximava da sede da prefeitura, os policiais bloquearam a rua e impediram que os manifestantes prosseguissem, sob a ameaça de prisão. A polícia exigia que uma faixa da rua fosse liberada e pra isso chegou até a jogar viaturas e uma moto contra os estudantes. Diante de tamanha truculência, os estudantes sentaram no chão e cantaram: “Polícia é pra ladrão, abaixo a repressão!”. Alguns minutos depois, pressionados pelos estudantes, os policiais liberaram a pista e a marcha pôde seguir seu curso. Mas até o final do ato a polícia acompanhou o movimento, inclusive fotografando as lideranças estudantis. Isso prova que o prefeito Cícero Almeida trata trabalhadores e estudantes como criminosos.

“Aumento de passagem é coisa de ladrão!”
A criatividade dos estudantes apareceu principalmente nas palavras de ordem. Denunciando a farsa montada pela prefeitura e empresários para aumentar a passagem, o movimento mostrou quem realmente eram os bandidos que a polícia deveria prender. “Não, não, não. Não vamos pagar não! Aumento de passagem é coisa de ladrão!”, cantavam todos.

O principal argumento dos donos de empresas de ônibus para justificar o reajuste é o aumento dos insumos. “Mais uma vez a corda estoura do lado dos trabalhadores. Os empresários afirmam que o aumento é legítimo, pois os insumos estão pesados demais. E como eles resolvem isso? Cobrando do trabalhador, que vai ter de diminuir o feijão e o arroz de sua mesa se quiser sair de casa. Isso nós não aceitamos. Que os empresários paguem a conta!”, afirmou Natália Freitas, do Centro Acadêmico de História da UFAL e militante do PSTU. Outras palavras de ordem foram entoadas pelos estudantes, reafirmando a vontade de lutar contra o aumento: “O povo não é otário! Não vai pagar o luxo do empresário!”. Por onde a marcha passava, recebia o apoio da população.

“Não ao aumento e passe-livre já!”
Além de colocar nas ruas a luta contra o aumento da passagem, o movimento também levantou a bandeira histórica do passe-livre. Diante do prédio da prefeitura e da Câmara Municipal, os estudantes exigiram o passe-livre através de intervenções e palavras de ordem: “Boi, boi, boi, boi da cara preta. Sem o passe-livre a gente vai pular roleta!” – cantavam.

`MilitantesEm apenas uma semana foram realizadas quatro manifestações e muitas outras estão sendo preparadas. “A bandeira levantada pelo movimento é inicialmente barrar o aumento, fazendo dessa luta um meio, jamais um fim. Só mobilizando os estudantes, colocando o povo nas ruas e desmascarando a farsa da imprensa que coloca o prefeito como negociador e defensor da população, é que conquistaremos grandes vitórias. Os estudantes não vão descansar. A causa é legítima e necessária. Passe-livre já!”, defendeu Natália Freitas.