Estudantes da UFSC defendem Greve Nacional da Educação

CSP-CONLUTAS

Nesta terça-feira (10), os estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), reunidos em Assembleia Estudantil com a participação de mais de mil pessoas, decidiram em ampla maioria por greve contra o desmonte no setor e o Future-se. Os docentes dessa universidade também podem deflagrar greve no começo da próxima semana.

Os estudantes rejeitam, em sua totalidade, o Future-se, projeto de lei que sintetiza o plano de educação deste governo – seu desmonte e privatização. E defende a construção de uma Greve Nacional da Educação, entre outras bandeiras de luta. (confira a integra das reivindicações)

Os estudantes decidiram iniciar o movimento devido às Universidades Federais atravessarem um duro momento de ataques marcados por cortes orçamentários, desvalorização científica e nomeação de reitores que não foram eleitos por sua comunidade acadêmica, ferindo os princípios da autonomia e democracia universitária.

O corpo acadêmico é contra os cortes anunciados em maio deste ano colocaram em xeque o funcionamento das universidades. Na UFSC a situação é grave, dezenas de trabalhadores terceirizados foram demitidos, falta segurança, limpeza e manutenção. Além disso, foi anunciado o cancelamento de eventos como a SEPEX e não houve renovação de diversas bolsas. Para piorar ainda mais o cenário o fechamento do restaurante universitário é iminente, dada a falta de recursos.

O movimento grevista defende a recomposição completa do orçamento da UFSC e é contra os cortes de orçamento do MEC (Ministério da Educação) para 2020. Defende o direito às bolsas da CNPq, PROBOLSAS e dos demais programas colocados em risco pela política do governo federal.

Os estudantes querem construir uma greve que mostre o papel da Universidade para a sociedade, sua importância na produção de ciência e tecnologia e de profissionais que atuam nas mais diversas áreas, além de exigir educação pública e gratuita, e condições dignas para permanecerem na Universidade.

Estão mobilizados para que os professores e departamentos, bem como Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) e funcionários terceirizados entendam quais são os motivos da greve e para que consigam se mobilizar conjuntamente.

Para a presidente da ANDESUFSC, Adriana D’Agostini, “ss estudantes estão dando exemplo de que a luta muda a vida, que seu futuro importa e que não têm medo de conquistar seus sonhos”, afirmou ao site da Andesufsc.

O professor aposentado da UFSC, da base do ANDES, Paulo Rizzo está acompanhando a greve e denuncia a política do governo. “Para tentar impor as políticas privatizantes, o governo Bolsonaro impõe cortes no financiamento da educação e da ciência e tecnologia, em proporções profundas, um estrangulamento financeiro que já está inviabilizando a educação federal. Então, a luta é para não deixar acabar a educação pública”, opinou.

Outras ações da comunidade
Docentes: o coletivo Docentes em Movimento está reunido com professores em assembleia, no Auditório do Espaço Físico Integrado (EFI).

Pós-graduação: Associação de Pós-Graduandos da UFSC convoca estudantes de pós para Assembleia Geral, nesta quarta-feira (11), no Centro de Convivência. Até o momento, cinco programas de pós-graduação já decidiram por greve ou estado de greve. Outros dez programas deliberarão a pauta nos próximos dias.

Técnicos-administrativos em Educação (TAEs): TAEs da UFSC farão assembleia no Hall da Reitoria, na próxima quinta-feira (12), às 14h. No sábado (14) e no domingo (15), participarão de Plenária Nacional, em Brasília, convocada pela Federação de Sindicatos do Trabalhadores em Universidades Brasileiras (FASUBRA-Nacional)Na Assembleia Geral Estudantil de hoje, ficou muito claro que somente uma Greve Nacional poderá enfrentar o advento do desmonte do ensino superior federal. O encontro estabeleceu a formação do Comando de Greve, o calendário de ações e uma carta em apoio à Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), dentre outras deliberações.

A CSP-Conlutas apoia a greve dos estudantes, assim como a construção da greve nacional da Educação contra o Future-se e o desmonte do setor.

Com informações “Carta de deflagração Greve estudantil da UFSC” da Andesufsc