Esquema de guerra na repressão aos atos de Miami

A Alca nao escondeu a violência em sua face na última quinta-feira, 20 de novembro. Milhares de policiais fecharam as ruas de Miami em diversos pontos da cidade. Transportes públicos não funcionaram. Lojas fechadas. E o clima de intimidação tomou conta das ruas. ¨Se a Alca fosse boa não precisaria de um aparato militar tão grande para anunciar sua chegada. Chegaria com festa dos povos americanos, não com balas¨, disse um dos manifestantes.

A manhã começou com cerca de 20 mil trabalhadores, latinos e jovens chegando as ruas do centro sob o cerco dos policiais. Uma característica importante da manifestação de Miami foi a presença dos trabalhadores norte-americanos. Diferente de como atuou durante a implantação do Nafta, desta vez a central AFL-CIO vem organizando os trabalhadores na luta contra a Alca. Isto deve-se, principalmente, ao cerca de 750 mil empregos perdidos somente nos Estados Unidos com o Nafta.

Os trabalhadores foram cerca de 80% da manifestação. Totalmente diferente, por exemplo, da composição social da manifestação contra a guerra, em 25 de outubro, em Washington. Ao final da passeata, pacífica, o policiamento foi reforçado ainda mais. A provocação de alguns grupos anarquistas foi respondida com violência desmedida. Gás lacrimogêneo, cassetetes, prisões e evacuação do centro da cidade.

No dia seguinte, os atos de protestos contra as prisões do dia anterior também foram respondidos com violência. Ao total, mais de 200 pessoas foram presas e diversos manifestantes ficaram feridos.

Nas ruas de Miami, a Alca mostrou sua face novamente: a da violência contra os povos.