Entrevista exclusiva com Joan Jara, viúva do artista revolucionário chileno Victor Jara

O site do PSTU conversou com Joan Jara, a bailarina inglesa viúva de Victor. Hoje, Joan se dedica à fundação Victor Jara, que recolhe, arquiva e promove a obra do cantor.“Exemplo de um artista comprometido com uma luta por justiça social”

Site do PSTU – Qual o legado deixado por Victor Jara?
Joan Jara – O exemplo de um artista comprometido com uma luta por justiça social, sua obra que reflete esse compromisso e é leal às suas raízes culturais.

Apesar de sua obra refletir um contexto bastante específico, seu conteúdo é universal. A senhora acredita que ele tinha essa preocupação ou suas canções ganharam toda essa significação com o tempo e as circunstâncias?
Sua obra emergia de sua própria vida. Nesse sentido, é uma autêntica criação. Esse fator tende ao universal, mas além disso, o contexto histórico o converte em um símbolo que representa as inúmeras vítimas da ditadura.

A Nova Canção Chilena se assemelha a outros movimentos culturas da época, que também ocorreram em outros países da América Latina, como o Brasil, com o objetivo de resgatar a identidade nacional. No entanto, no Chile tal movimento não se restringiu à juventude universitária, abrangendo os trabalhadores e o povo pobre do país. Como isso ocorreu?
A Nova Canção Chilena se insere nos grande movimentos sociais dos anos 60, onde os trabalhadores se uniram aos estudantes e juntos lutavam para conseguir um mundo melhor. No Chile, desde o princípio do século, com Luis Emilio Recabarren, existia uma larga tradição de expressar o político através da cultura.

A Nova Canção é parte de um movimento cultural mais amplo, comprometido com a transformação social e a luta contra o imperialismo. Vemos que, inclusive, a esquerda na época se esforçava em impulsionar esse movimento. Hoje, no entanto, a esquerda parece seundarizar a cultura. Por que a senhora acha que isso acontece?
Creio que o fenômeno está distorcido pela falta do acesso pela esquerda dos meios de comunicação de massa. Predomina, ainda, o lixo cultural comercial.

Pinochet morreu sem pagar por seus crimes. Qual é a situação atual dos demais assassinos e torturadores da ditadura chilena?
Não tenho informação completa. Creio que alguns estão presos, mas a maioria livre e sem nenhum processo.

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