Eles estão livres

É reinante a impunidade contra políticos ladrões e corruptos. Um bom exemplo é o caso do mensalão. Apesar de todo estardalhaço que causou, até hoje nenhum dos envolvidos no esquema de corrupção (o maior revelado no governo Lula) foi preso, punido ou teve, pelo menos, seus bens bloqueados. Marcos Valério, o pivô do esquema, continua andando livremente pelas ruas, desfrutando sua fortuna. José Dirceu, apesar de ter saído do governo, mantém ainda muita influência política e atua como um mega-lobista de grandes empresários, como o mexicano Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo. O único que sofreu algum tipo de “punição” foi o ex-secretário geral do PT, Silvio Pereira – o “Silvinho Land Rover” -. Ele fez um acordo com a Justiça para se livrar do processo em troca de “serviços comunitários”, que poderão ser cumpridas em até três anos.

Lula disse estar “indignado” com a absolvição de Bida, mas ajuda a acobertar os roubos cometidos pelos membros do governo e da direção do PT.E a escandalosa impunidade dos endinheirados não pára por ai.

Vejamos alguns casos:

Naji Nahas – Depois de faturar milhões com suas falcatruas financeiras, o mega-especulador foi preso em 1989 após quebrar a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Mas ele não passou muito tempo na prisão, pois foi inocentado pela Justiça. Mais discreto, Nahas continuou suas negociatas. Aproximou-se do banqueiro Daniel Dantas, da família real da Arábia Saudita e de outros figurões. Em 2004, ele bancou o luxuoso casamento de sua filha, para o qual fretou nove aeronaves.

Nahas é dono do terreno de 1,3 milhão de metros quadrados onde cerca de 1.200 famílias da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), estão acampadas há quatros anos. Só em impostos, Nahas deve cerca de R$ 6 milhões, valor que permitiria à Prefeitura fazer a desapropriação da área em favor dos sem-teto. No entanto, foram inúmeras as ameaças de desocupação feitas aos moradores pelo governo, prefeitura e Justiça. Um claro exemplo de que lado está essa “justiça”.

Sergio Naya – o empresário ficou famoso depois do desabamento do edifício Palace II, no Rio de Janeiro, em 1998, que provocou a morte de oito pessoas. A empresa de Naya construiu o edifício e foi acusada de ter usado material barato e de baixa qualidade.

Naya foi para os EUA morar em seu luxuoso hotel na Flórida. Numa festa, foi flagrado por câmeras de TV reclamando que não beberia champanhe em copo de plástico, alegando que seria “coisa de pobre”. Ele chegou a ficar preso por duas vezes, mas foi absolvido pela Justiça em 2005. Muitas as famílias do Palece II não foram indenizadas.

Paulo Maluf – Dono de um invejável currículo de corrupção, Maluf é acusado de lavagem de dinheiro, receber propinas de construtoras e enviar dinheiro para contas no exterior. Gravações telefônicas mostraram uma tentativa de manipular um depoimento do doleiro Vivaldo Alves, que diz ter movimentado US$ 161 milhões dos Maluf em contas nos Estados Unidos. Maluf e seu filho foram presos, mas logo ficou evidente que a medida não passava de mais um show para a imprensa. Depois de alguns dias, ambos foram libertados. Hoje, Maluf é deputado federal.
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