Protesto em frente ao Ministério da Economia Foto Jornalistas Livres

Imagine você ganhar R$ 14 mil por dia sem precisar mexer um dedo. Parece loucura, mas foi quanto o ministro Paulo Guedes faturou só neste período em que está à frente da Economia, através da empresa que mantém num paraíso fiscal nas Ilhas Virgens Britânicas. Desde 2019, Guedes viu seu dinheiro crescer R$ 14 milhões nessa conta secreta. E o pior, essa grana foi bombada com a própria política que Guedes impõe.

A subida do dólar se reflete, para a imensa maioria do povo, na comida mais cara, como o arroz e a carne, além da gasolina. Reflexo do processo de recolonização do país e da nossa posição subserviente frente ao imperialismo. Mas enche os cofres dos bilionários que, como Guedes, deixam seu dinheiro nos paraísos fiscais que, além de tudo, é totalmente livre de impostos. A política econômica do governo, ao mesmo tempo que provoca cenas como a de famintos disputando ossos e carcaças, turbina os lucros dessa gente que vê, da tela do seu celular, sua fortuna se multiplicar.

Enquanto isso, o Brasil real convive com o desemprego em massa. São 92 milhões de pessoas sem trabalho, sobrevivendo através de bicos ou na informalidade. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), a renda média dos brasileiros despencou quase 10% desde o final de 2019. Entre a metade mais pobre, esse tombo foi o dobro: 21,5%.

Enquanto a fome e a miséria avançam, Bolsonaro veta até mesmo a distribuição de absorventes às mulheres pobres, dizendo que não tem dinheiro. Mas para os super-ricos não é assim. Só as grandes empresas devem se beneficiar, este ano, de R$ 315 bilhões em isenções de impostos. Isso equivale a todo o valor pago no auxílio-emergencial a 67 milhões de pessoas no ano passado, ou dez vezes o Bolsa Família.

O dólar nas alturas, o imposto regressivo, o desemprego em massa, a precarização provocada pela reforma trabalhista e a queda na renda condenam milhões de famílias à pobreza e até mesmo à fome. E beneficia principalmente os super-ricos, aqueles que estão à frente das grandes empresas que no Brasil (considerando aquelas que empregam mais de mil funcionários) somam pouco menos de 4 mil proprietários. Ou 0,1% da população.

Desse estrito universo de grandes burgueses, pode-se destacar um núcleo ainda mais exclusivo: as 388 empresas cotadas na Bolsa que, juntas, detêm R$ 5,5 trilhões. Mais de 70% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país! Estão aí os 315 bilionários do Brasil que se enriquecem cada vez mais, enquanto metade da população sofre com algum tipo de restrição alimentar, ou seja, sequer consegue comer o que precisa para se manter.

Tirar dos super-ricos

Para enfrentar o desemprego, a fome e a carestia, é preciso enfrentar os privilégios dos super-ricos. Só reduzindo a jornada de trabalho para 30 horas semanais seria possível zerar o desemprego em massa em nosso país. Sem diminuir os salários, duplicaríamos o PIB, ou seja, a produção de riquezas.

Simplesmente cobrar os impostos das grandes empresas que hoje são desoneradas possibilitaria retornar o auxílio-emergencial de R$ 600,00. Mas precisamos de muito mais. Um imposto progressivo sobre as grandes fortunas dos 315 bilionários, variando de 1% a 10%, daria R$ 140 bilhões ao ano, o equivalente a todo o valor gasto com educação em 2021.

É preciso, nesse sentido, impor um imposto realmente progressivo, isentando do Imposto de Renda os que ganham até dez salários mínimos e taxando fortemente os grandes lucros e dividendos, que hoje não pagam nada. Assim como suspender o pagamento da dívida aos banqueiros, proibir as remessas de lucros para fora (as multinacionais enviaram R$ 1,5 trilhão de 2011 a 2020) e reestatizar as empresas privatizadas, a exemplo da Vale, retomando as ações da Petrobras que hoje estão nas mãos de grandes acionistas estrangeiros, acabando com a paridade do preço em dólar e reduzindo o custo do combustível (ao mesmo tempo, investir em energia renovável).

É preciso, enfim, girar a economia para atender as necessidades da população, e não de um punhado de grandes empresas e bilionários, menos de 0,1% da população, como é hoje.

Mudança não virá junto com a burguesia

Não estamos todos no mesmo barco. A comida cara no supermercado significa pobres disputando ossos e bilionários do agro e do setor financeiro, como Guedes, contando mais dinheiro. Por isso, é impossível enfrentar essa situação sem se contrapor aos interesses dessa gente. E é também por isso que o projeto de frente ampla com a burguesia, capitaneado por Lula, juntamente com o centrão e demais setores da direita, com o apoio da direção do PSOL, não vai mudar nada.

Lula já disse que seu “sonho” seria ter o banqueiro Meirelles novamente à frente da Economia. Já afirmou ser contra a taxação dos ricos. Ou seja, seu programa de governo não vai enfrentar sequer as questões mais urgentes, o que dirá os problemas históricos como o desemprego ou até mesmo o saneamento básico, que as gestões petistas, inclusive, não tocaram.

É preciso construir e fortalecer um projeto socialista e revolucionário de país. Que coloque, nas lutas e nas eleições, uma perspectiva de real mudança social, com o enfrentamento do desemprego, da carestia, da fome, defendendo os serviços públicos. Um projeto independente da classe trabalhadora. É para isso que está a serviço o Polo Socialista e Revolucionário, cujo manifesto foi lançado no último dia 7 de outubro. O PSTU faz parte deste polo, faça parte desta luta também.

Leia, assine e divulgue o manifesto