Editorial: As tarefas do próximo período na base dos trabalhadores

Fotos: Edu Guimarães/SMABC

Leia o editorial do Opinião Socialista nº 563

Os banqueiros, os grandes empresários e os ruralistas exigem que sejam desferidos grandes ataques contra nossos direitos pelo novo governo seja quem for eleito. O ataque vai começar pela reforma da Previdência.

O projeto Bolsonaro, além disso, vai atacar violentamente as liberdades democráticas e impor forte repressão aos setores oprimidos e às lutas dos trabalhadores. Muitos trabalhadores, porém, indignados, com razão, com o PT e com tudo que está aí, vão votar nele acreditando é honesto e que vai garantir segurança.

É preciso dialogar com esses trabalhadores, dizer que seremos oposição a qualquer um dos dois candidatos que sejam eleitos, pois todos vão atacar nossa aposentadoria e nossas condições de vida. Dizer que respeitamos suas posições e que têm toda razão de estarem indignados com os governos do PT. Nós também estamos. Fomos oposição aos governos do PT e, entre Aécio e Dilma, chamamos a votar nulo, da mesma forma que defendemos “fora todos eles” e “fora Temer”.

Defendemos uma rebelião operária e popular como única maneira de mudar o país. Contudo, no segundo turno, é um tiro no pé votar em Bolsonaro. Além de também ter aliados corruptos e propor acabar como os nossos direitos, ele defende a repressão contra as lutas dos trabalhadores. Defende um projeto de ditadura que pode acabar com liberdade de opinião, de fazer oposição e de lutar. Precisamos derrotar qualquer um dos dois governos com luta, mas, nesse momento, é preciso votar contra Bolsonaro para que possamos ter liberdade para enfrentar Haddad. Por isso, no segundo turno, sem dar nenhum apoio ao PT, devemos votar 13 contra Bolsonaro.

Devemos dizer aos trabalhadores também que, independentemente da posição ou de que candidato cada um defenda, é preciso assumir um compromisso de união de todos no chão da fábrica ou no local de trabalho. Ganhe quem ganhar, estaremos unidos e preparados para a luta unificada em defesa da aposentadoria contra qualquer reforma da Previdência e ataque ao 13º, pela revogação da reforma trabalhista e da lei das terceirizações e em defesa das liberdades democráticas, do direito de greve, de livre manifestação, de organização e de fazer oposição aos governos. Em defesa do direito das mulheres, dos negros e das LGBTs de lutarem, apresentarem suas opiniões e se defenderem contra qualquer violência. Em ocupações, na periferia e na juventude deve formar-se comitês contra Bolsonaro.

A classe vai reagir contra os ataques que virão e precisa estar organizada pela base. É preciso propor uma frente única às organizações existentes e exigir que preparem a luta.