Camilo Martin e Maria Clara, diretores do Sindicato dos Metroviários de SP e militantes do PSTU

Esta semana tivemos uma fortíssima greve dos metroviários que parou São Paulo e que escancarou o descaso do governo Doria com os trabalhadores e os serviços públicos. A greve exigia apenas manutenção das condições de vida dos trabalhadores. Nada mais justo para qualquer trabalhador em meio a esta pandemia, ainda mais depois do repasse de mais de 1 bilhão de reais feito por Doria ao Metrô privatizado da ViaQuatro, administrado pela concessionária CCR.

Dias após a greve – que denunciou a privatização e as suas consequências na destruição dos serviços públicos – a CCR acaba de anunciar um lucro de mais de 688,9 milhões de reais neste 1º trimestre, alta de 137,8%. E deixa explícito em seu balancete que este lucro foi garantido graças ao repasse feito pelo governo estadual. Uma verdadeira farra com dinheiro público, que poderia ter sido investido no Metrô estatal e utilizado para oferecer um serviço de ainda melhor qualidade, ampliando a malha ferroviária, reduzindo a tarifa e garantindo condições de trabalho e de vida dos metroviários.

A ideia de que privatização melhora o serviço, garante eficiência e onera menos os cofres públicos não passa de uma falácia usada pelos governos e grande imprensa a serviço de recompor os lucros dos capitalistas, garantindo privilégios. O próprio secretário Alexandre Baldy, como de praxe entre os políticos burgueses, tentou seguir pelo mesmo caminho e, em meio a greve, propagou a falsa ideia de que a melhor alternativa é a privatização. Mas, como dizem, a mentira tem perna curta.

Suas mentiras não se sustentam diante da realidade, basta olhar a situação do transporte de ônibus na cidade de São Paulo – que a despeito da precariedade se manteve, em 2020, com repasse público de 4 bilhões – ou das tarifas altíssimas (R$ 5,80) cobradas no metrô privado do Rio de Janeiro. Cria-se, na realidade, um sistema de benefício duplo para as grandes empresas em detrimento dos serviços públicos. De um lado ganham com as tarifas – que abocanham parte substancial do orçamento das famílias trabalhadoras já afetadas por altas taxas de desemprego – por outro, recebem somas vultosas de subsídio público. Uma verdadeira corrupção legalizada para favorecer os grandes capitalistas.

Contra a privatização! Em defesa dos direitos e dos serviços públicos de qualidade!

A tentativa de retirar direitos dos trabalhadores em meio a uma pandemia ou a destruição dos serviços públicos que atendem a população trabalhadora deveria ser considerada absurda por qualquer pessoa que se preocupe minimamente com a vida. No entanto, a grande preocupação dos governos capitalistas, em meio à sua crise, é criar mecanismos que permitam a recomposição da taxa de lucros para os grandes empresários.

Aqui em São Paulo é exatamente isso que estamos assistindo. Se por um lado tentam massacrar os trabalhadores, retirando direitos e, com o auxílio da mídia burguesa, jogando uns contra os outros diante da situação de miséria e desemprego; por outro fazem de tudo para garantir os lucros dos capitalistas, ainda que para isso seja necessário, como assistimos ao longo do último ano, ter uma política genocida que empurre o povo para a morte. O caso dos repasses para CCR é exemplar dos privilégios dos grandes capitalistas, mas não é um caso isolado. Tivemos um aumento no último ano de 71% do número de bilionários no país, enquanto mais de 20 milhões de pessoas seguem passando fome. Essa situação é mais um capítulo da guerra social que os de cima – Doria aqui e Bolsonaro em Brasília – travam contra os trabalhadores em benefício dos capitalistas.

Os metroviários apresentaram um caminho de luta e resistência em defesa de suas condições de vida e dos direitos de toda nossa classe. Agora, dia 29 de maio, temos um ato importante que permitirá ampliar a unidade dos diversos setores que compõem a nossa classe contra a política genocida de Bolsonaro, e também de Doria aqui em São Paulo. Precisamos, na luta concreta em defesa das nossas vidas, inverter essa lógica que domina este sistema. Basta de massacre e genocidio! Que os ricos paguem pela crise!