Dirigentes do Batay Ouvriye sobrevivem ao terremoto

O sindicalista haitiano Didier Dominique em uma de suas visitas ao Brasil

O dirigente da organização sindical haitiana Batay Ouvriye (Batalha Operária), Didier Dominique, enviou uma mensagem por e-mail no dia 16 de janeiro.

Ao mesmo tempo em que tranqüiliza os companheiros no Brasil, que estavam bastante apreensivos desde a notícia do terremoto no último dia 12, Didier relata a situação dramática em que se encontra o Batay, seus dirigentes e toda a população da capital Porto Príncipe: “familiares mortos (nossos e de vários camaradas), inúmeros problemas como habitação, transporte, comunicação, além da falta de água e eletricidade”, relata. Didier buscava ainda reunir informações sobre a situação dos membros do grupo na capital e em outras regiões.

O sindicalista ainda denuncia o governo haitiano que “além de não fazer absolutamente nada, acabam de entregar o aeroporto aos marines americanos”. A comunicação ainda está bastante precária no país, os telefones não funcionam e a Internet (via satélite) é a única possibilidade de contato com o exterior. Didier afirmou que entraria em contato tão logo isso fosse possível.

Ativista já visitou o país várias vezes
Didier Dominique já esteve diversas vezes no Brasil, denunciando a ocupação militar pelas tropas da ONU. Em uma dessas ocasiões, travou contato com a Conlutas e foi, posteriormente, um dos convocadores do Elac (Encontro Latino-Americano e Caribenho), realizado em 2007 e que reuniu diversas organizações sindicais e populares.

Em 2009, Didier integrou uma comitiva de haitianos numa caravana organizada pela Conlutas que percorreu diversos estados brasileiros. A caravana fazia parte da campanha pela retirada das tropas da Minustah no país.

Recentemente, o sindicalista recebeu o dirigente e editor do Opinião Socialista, Eduardo Almeida, em sua segunda visita ao Haiti, apresentando-o às organizações operárias do país.