Dia 30 de abril foi dia de luta em Belo Horizonte

Passeata em Belo Horizonte
Ana Clara Ferrari

A manifestação pelo Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores foi antecipada em Belo Horizonte (MG). Um ato público e uma passeata marcaram a data no dia 30 de abril, quinta-feira. Centrais e entidades sindicais e populares e movimentos sociais realizaram uma manifestação na Praça da Rodoviária, dando sequência à unidade construída no dia 30 de março, Dia Nacional de Luta.

O eixo da manifestação foi a defesa do emprego e da redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a luta pela reforma urbana e agrária e a defesa dos servidores e dos serviços públicos. Estiveram presentes 400 pessoas, com destaque para a ocupação Dandara, ocorrida no último dia 9 de abril, na periferia de BH. Estão acampadas cerca de mil pessoas, desmascarando a verdadeira realidade do déficit habitacional da cidade que os programas da Prefeitura não atendem.

Esta unidade construída em torno do dia do trabalhador foi muito importante. É uma resposta que a classe trabalhadora mineira está dando para a política dos patrões e dos governos diante da crise econômica. Minas Gerais tem sido muito afetada pela crise: são mais de duzentos mil trabalhadores que perderam seus empregos no último período.

Centenas de prefeituras no estado estão indo à falência com redução do Fundo de Participação dos Municípios, em função da redução do IPI. São os recursos da educação e saúde que ficarão mais minguados, afetando a população mais pobre.

Os governos, por sua vez, não têm assumido seus compromissos com a defesa dos interesses da população trabalhadora. Diante da crise econômica, de grande gravidade, o governador do estado, Aécio Neves (PSDB), já reduziu em 20 % os gastos sociais e somente se preocupa com a sucessão presidencial de 2010.

Os prefeitos realizaram um dia de paralisação no dia 15 de abril. Eles foram a Brasília reclamar com o presidente Lula sobre a diminuição da receita e estão promovendo cortes nas áreas sociais. Lula tem gasto dinheiro do povo socorrendo bancos, grandes empresa e agora emprestando ao FMI. Todas estas medidas vão aprofundar os ataques à população trabalhadora.

Para Zé Maria de Almeida, que representou a Conlutas no ato, “é necessário exigir dos governos, principalmente de Lula, que rompa com o FMI, suspenda a ajuda aos empresários e banqueiros, garanta a estabilidade no emprego a todos os trabalhadores através de medida provisória, reestatize a Vale, CSN e Embraer e as coloque sob controle dos trabalhadores para que seus lucros estejam a serviço de mais e melhores políticas públicas como saúde, educação e moradia para o povo. Os trabalhadores não devem pagar pela crise”.

Como continuidade deste ato, é necessário construir uma grande mobilização nacional, unitária, que resgate as bandeiras imediatas e históricas da classe trabalhadora a fim de que as consequências da crise não recaiam sobre as costas do trabalhador. Muito ainda teremos de fazer para pôr a classe em movimento. Entretanto, o passo da unidade tem sido dado para chamar os trabalhadores a ocupar o papel principal da luta social.

Vanessa Portugal, do PSTU e do Movimento de Mulheres em Luta da Conlutas, criticou o fato de o governo Lula estar dando dinheiro aos banqueiros: “Lula acha chique emprestar dinheiro ao FMI, e dar isenção de impostos para as indústrias. Nós achamos isso um absurdo, pois retira as parcas verbas da educação, saúde e moradia”. Vanessa afirmou que a unidade é importante, mas que as centrais presentes no ato, “em especial a CUT e a CTB, têm o dever de paralisar as suas bases no movimento sindical para construir um verdadeiro dia nacional de greves e paralisações”. Falou, ainda, da importância de as mulheres estarem presentes no ato ao lado dos homens lutando por uma sociedade justa e sem desigualdades, lutando pelo socialismo.

*Pedro Valadares é coordenador da Conlutas-MG