20 anos da greve da Mannesmann: lições de uma greve histórica

Palestra foi marcada por emoção e aprendizadosDepois de um dia de manifestação em comemoração ao dia do trabalhador em BH, ativistas e militantes se reuniram na sede da Conlutas-MG para participar da palestra sobre os 20 anos da greve da Mannesmann.

A palestra foi promovida pelo PSTU, e contou com a presença de dirigentes históricos da greve, como José Maria de Almeida e Oraldo Paiva, além de Giba Gomes, também dirigente do sindicato dos metalúrgicos na época.

A intenção era contar aos companheiros jovens militantes e simpatizantes do PSTU um pouco da história das greves operárias dos anos 1980 e ver que ensinamentos se pode tirar daquelas lutas, já que no atual momento de crise do capitalismo, a classe operária está voltando ao centro da cena política.

O local foi todo decorado com jornais e fotos da época. No início da palestra, o vídeo que homenageia os operários da Mannesmann e os dirigentes do sindicato dos metalúrgicos deixou os presentes comovidos.

Ao contar experiências como a disposição dos metalúrgicos para enfrentar a polícia no caso de invasão e a morte de operários na greve de ocupação da CSN de Volta Redonda (RJ), os próprios palestrantes se emocionaram: “É evidente que lembrar de uma luta como essa toca a gente. (…) Eram companheiros valiosíssimos, que valiam ouro (…) não temos o direito de reclamar da violência de uma greve operária. São companheiros explorados e oprimidos todos os dias, que quando se rebelam, estão dispostos a tudo”.

As principais lições contadas pelos companheiros foram o papel determinante da classe operária para mudar a realidade do país e, portanto, a importância de confiar que a classe vai lutar e nunca se descolar dela ou tentar substituí-la. A atenção redobrada que os sindicatos e os revolucionários devem dar à organização da vanguarda, em especial dentro das fábricas, também foi um aprendizado.

A organização é fundamental para sustentar uma luta tão dura. Preparar com clareza política os momentos de enfrentamento agudo entre a classe operária e a burguesia também é decisivo. A insurreição é uma arte, e uma oportunidade perdida pode significar anos de refluxo do movimento operário.

Ao final, os companheiros defenderam a necessidade de estudarmos a história do movimento operário e a nossa própria história, aprender com nossos erros, e registrar estas experiências para os jovens militantes e ativistas de hoje e as futuras gerações. Para isso, é muito importante a produção de textos, livros, vídeos e filmes para transformar a experiência prática em teoria revolucionária.

A palestra foi filmada e será produzido um DVD para divulgação.