Ato em São Paulo reúne duas mil pessoas

Manifestação independente fez contraponto aos atos da CUT e Força Sindical
Kit Gaion

Nesse 1º de maio em São Paulo cerca de duas mil pessoas participaram do ato classista realizado na Praça Sé, centro da capital paulista. A atividade foi chamada por diversas organizações como os Fóruns das Pastorais Sociais e CEBs, pela Conlutas, Intersindical, MTST, MST, Conlute, FOE, Fórum de Luta dos Trabalhadores desempregados, Fórum dos ex-presos políticos, Consulta Popular, além de partidos de esquerda como o PCB, PSOL e PSTU.

Sob o lema “os trabalhadores não vão pagar pela crise”, o ato foi o contra ponto das festivas e despolitizadas atividades das pelegas CUT e Força Sindical.

O ato foi marcado por muitas falas dos representantes das organizações convocantes. Em cada uma delas foi lembrada os milhares de trabalhadores demitidos, como conseqüência da crise, além de apontarem para a necessidade de construir a unidade de todos os trabalhadores para combater seus efeitos. Mas também houve muitas apresentações de grupos culturais e homenagens aos trabalhadores que tombaram nas lutas, como Santo Dias e a Frei Tito, ambos assassinados pela ditadura militar.

Plínio de Arruda Sampaio, histórico militante da esquerda socialista, lembrou que há 60 anos vêem participando dos atos classistas na Praça da Sé. No entanto, afirmou “que nunca a classe trabalhadora esteve tão ameaçada pelo capitalismo como está agora pela crise”. Plínio ainda completou dizendo que essa é uma das maiores crises do sistema capitalista e que a saída para ela “não se dá dentro do sistema capitalista, que é preciso substituir o capitalismo pelo socialismo”.

Representando o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Luiz Carlos Prates, o Mancha, recordou a lutas dos trabalhadores da Embraer contra as 4.100 demissões e denunciou a falta de ação do governo que dá dinheiro público para a Embraer. “Quando os metalúrgicos da Embraer foram falar com Lula, ele disse que tava torcendo por nós. Não basta torcer! Lula poderia deter a onda de demissões pelo país. Bastaria assinar uma Medida Provisória que protegesse os trabalhadores contra as demissões”. Mancha completou exigindo a reestatização da Embraer, um plano de obras públicas para combater o desemprego e exigiu a retirada das tropas brasileiras do Haiti.

Um dos representantes da Intersindical foi Mane Melato, do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas (SP). O sindicalista fez um critica contundente aos atos da CUT e Força, lembrando que eles são “fazem festas financiadas pelas mesmas empresas que demitem os trabalhadores”. O professor Paulo Pedro também falou pela Intersindical e disse que na Praça da Sé estavam “reunidos os melhores lutadores, aqueles que não se venderam para a patronal e para o governo”.

Já Helena, do MTST, lembrou das lutas dos sem-tetos contra a carestia e falou que a crise vai ter conseqüências sobre os milhões de trabalhadores desempregados que não conseguirão pagar o seu aluguel. Valdir Martins, o “Marrom”, dirigente da ocupação do Pinheirinho em São José dos Campos, denunciou o plano de moradias do governo federal. “O governo anuncia um milhão de casa, mas não diz quando vai ser a construção”, disse.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) também passou pelo ato e fez uma intervenção defendendo reformas políticas e a divulgação do salário dos altos executivos das empresas para “compartilhar” os resultados da crise e para haver “melhores condições de negociação”. Suplicy também participou dos atos da Força Sindical e da CUT.

Dirceu Travesso, que falou pelo PSTU, lembrou que o 1° é umas primeiras ações internacionalistas da classe operária e que, portanto, é uma data de solidariedade de todos os trabalhadores. Nesse sentido, o sindicalista denunciou a ocupação imperialista no Haiti e questionou o senador petista. “Suplicy devia dizer por que as tropas brasileiras estão lá no Haiti, a serviço do imperialismo”, disse.

Dirceu ainda denunciou a campanha de mídia que afirma que todos terão que fazer sacrifícios com a crise. “O discurso de que todos terão que fazer sacrifícios é uma mentira. Na verdade eles querem tirar dinheiro da educação, da saúde para dar trilhões para os bancos”. Ele completou expressando a opinião do partido de que a crise mostra a real face do capitalismo e que é preciso “debater o socialismo de forma concreta, como única saída para humanidade”.

O ato foi encerrado com a fala de Atnágoras Lopes, que representou a Conlutas. Ele lembrou da dor dos milhões de trabalhadores desempregados estão sentindo quando “olham pra seu filho e não podem oferecer nunhum horizonte”. Atnágoras apontou ainda a necessidade de se construir um dia nacional de lutas contra o desemprego, fazendo esse chamado, inclusive, paras as centrais governistas. “É preciso unir os trabalhadores. A crise aponta a necessidade de um dia nacional de paralisação, chamando inclusive as centrais governistas, para que os trabalhadores possam responder os efeitos da crise”, concluiu.