Depois do descaso, governo promete moradia às famílias expulsas da ocupação Sonho Real

Munida de documentos assinados pelos governos estadual e municipal garantindo o assentamento, a coordenação dos sem-teto espera que agora, meses após viverem em condições precárias em dois ginásios de Goiânia, os sem-teto expulsos da ocupação Sonho Real tenham enfim o direito à moradia assegurado. O terreno adquirido irá abrigar 2.500 famílias, mas por enquanto elas irão ficar em uma área provisória, até que a infra-estrutura necessária seja instalada no local definitivo. O tempo estimado de espera é de três meses.

Sem as menores condições de abrigar tanta gente e por tão longo período, os ginásios em que ficaram alojados os sem-teto tornaram-se foco de doenças. Por isso, três pessoas morreram devido a complicações de saúde agravadas pelas más condições de vida encontradas nesses locais. O problema, que inicialmente seria resolvido em 15 dias, se estendeu por mais de dois meses.

O drama das famílias sem-teto se intensificou em fevereiro de 2005, quando a polícia militar agiu violentamente em uma ação de reintegração de posse. O terreno ocupado pelos sem-teto estava abandonado há cerca de 40 anos. Os donos devem mais de R$ 2 milhões em impostos. Foi em favor dessas pessoas que o governo admitiu que mais de 3.000 famílias fossem expulsas, com tiros e bombas, da ocupação Sonho Real. No confronto, ao menos dois sem-teto foram mortos. A ação do governo em favor da burguesia derramou o sangue des trabalhadores que, com um salário miserável, que sequer supre as necessidades básicas, lutavam pela moradia.

Os policiais assassinaram dois sem-teto, em uma ação que o coronel chegou a chamar de `exemplar`, mas quem corre o risco de ir para a cadeia são os trabalhadores. O governo está processando vários dirigentes do movimento, em uma clara tentativa de intimidar novas ações e de criminalizar os movimentos sociais.

Em favor do status quo, os jornais da grande imprensa vão pelo mesmo caminho. Ao tratar as famílias da ocupação Sonho Real como invasores, ignoram o problema do desemprego e do estrangulamento da economia, causado pela política econômica de Lula. Dessa forma, legitimam um sistema nos quais são beneficiados.

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