Abbas encontra-se com Bush para receber migalhas e “apoio”

Abbas com Bush, nos jardins da Casa Branca
Divulgação

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, encontrou-se ontem nos EUA com George W. Bush. Foi a primeira visita de um presidente palestino à Casa Branca desde o início da Intifada, em setembro de 2000.

O resultado prático do encontro foi a doação de US$ 50 milhões a ser investidos em projetos de habitação e infra-estrutura na Faixa de Gaza, de modo a viabilizar a vida dos palestinos após a retirada dos assentamentos israelenses da região. Esta quantia faz parte de um projeto maior que tramita no Congresso norte-americano e prevê a destinação de US$ 150 milhões à ANP, ao todo.

Abbas comemorou a ajuda norte-americana e saiu da reunião convicto do empenho de Bush em efetivar o acordo de paz entre israelenses e palestinos. O presidente norte-americano estaria, assim, disposto a empreender todos os esforços para fazer cumprir o plano de paz elaborado por EUA, União Européia, Rússia e ONU e que prevê a criação de um Estado palestino independente, em coexistência com Israel.

O governo norte-americano, em realidade, trabalha até contra este objetivo. É público que financia o Estado de Israel há décadas para conter não somente a resistência palestina, mas a de qualquer povo que se rebele na região. Enquanto reserva migalhas para amenizar a pobreza dos palestinos, Bush destina bilhões de dólares anualmente para a violência do exército israelense, para minar a resistência iraquiana e para sustentar governos fantoche pelo mundo.

Os palestinos, que lutam bravamente pela independência, não podem deixar arrefecer a Intifada em razão das promessas e de belos discursos. O presidente Abbas provou mais uma vez neste encontro que não pode levar à frente os interesses do povo palestino. Os acontecimentos desde o último acordo de paz, em fevereiro, no Egito, têm mostrado que Ariel Sharon utiliza o acordo apenas como uma forma de derrotar a resistência palestina. A desocupação dos assentamentos israelenses já foi adiada, e a libertação de 400 presos palestinos, que estava no acordo, ainda não aconteceu. Além disso, o exército de Israel voltou a usar a violência contra os palestinos.

Não se pode confiar em Bush, Sharon e Abbas. A Intifada deve prosseguir até a conquista de um único Estado palestino democrático e laico, o que só virá com a derrota dos imperialismos e do sionismo de Israel.