Depois de dois dias na estrada, trabalhadores rurais do Nordeste chegam ao II Congresso Nacional da CSP Conlutas



Às 8h, da quarta-feira, dia 3, o sol ardia no sertão de Sergipe, na cidade de Poço Redondo, quando trabalhadoras e trabalhadores rurais começaram a viagem rumo ao II Congresso Nacional da CSP Conlutas. Agricultoras e agricultores de Sergipe, Pernambuco e Alagoas cortaram estradas trazendo na bagagem as suas experiências de vidas e um anseio de preparar uma jornada de lutas contra o ajuste fiscal do Governo Federal que reduz os gastos com reforma agrária e com as políticas voltadas a agricultura familiar, enquanto segue beneficiando o latifundiário e o agronegócio.
 
Muitos destas trabalhadoras e trabalhadores participam pela primeira vez de um evento nacional, como é o caso do agricultor Jailton Pereira, presidente dos do Sindicato do(a)s Trabalhadores e Familiares Rurais de Tomar de Geru. “É o primeiro congresso que participo fora de Sergipe. Levamos 48h para chegar até aqui e valeu a pena. A viagem foi longa, mas chegamos animado, com um trio pé serra, cantando o nosso forró nordestino. O congresso está sendo um aprendizado para nós, queremos fazer um bom proveito e levar essas discussões para a nossa comunidade”, disse.
 
Jailton Pereira ressaltou a importância da CSP Conlutas para a luta dos agricultores. “Nosso sindicato é filiado na CSP Conlutas. É uma central que faz o impossível para que possamos conseguir as coisas, sempre mostrando o caminho das lutas. Vamos sair fortalecidos daqui”.
 
Alice Oliveira, presidente do Sindicato do(a)s Trabalhadores e Familiares Rurais de Frei Paulo destacou a participação das agricultoras no 2º Congresso Nacional da CSP Conlutas. “Na estrada, fizemos um debate dentro do ônibus sobre a situação hoje do Brasil. A participação das mulheres nas lutas é muito importante, pois estamos vendo que seremos as mais atingidas com o ajuste da presidente Dilma. Em Sergipe a gente constrói o Movimento Mulheres em Luta, a nossa vinda para o congresso vai ajudar a gente fortalecer a participação das agricultoras na luta”.
 
Mais de 80 trabalhadoras e trabalhadores rurais de Sergipe, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Ceará e Piauí estão presentes em Sumaré. No último período uma série de entidades do campo se filiaram ou se aproximaram à CSP-Conlutas em busca de uma central que não tivesse sido cooptada pelo Governo Federal e que se disponha a organizar a luta dos trabalhadores rurais contra os grandes interesses das multinacionais. O segundo dia do congresso foi marco pelo debate sobre as transformações no campo e desafios dos trabalhadores rurais.