Congresso da CSP-Conlutas aprova chamado a uma Greve Geral


Chamado à unidade de ação e à luta contra ajuste fiscal e retirada de direitos dão o tom da primeira plenária de votação


Precisamos de uma Greve Geral para derrotar o PL das terceirizações, as MP’s de Dilma e esse ajuste fiscal que quer jogar o peso da crise nas costas dos trabalhadores“. Na tarde dessa sexta, 5, começou a plenária que vota as resoluções que definirão os rumos da CSP-Conlutas no próximo período. 
 
As propostas de resoluções foram apresentadas pelas entidades que compõem a central e, no Congresso, discutidas em 22 grupos no qual se distribuíram os delegados. Apresentada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e o Sindipetro AL/SE, e defendida por Antonio Macapá, metalúrgico da GM e dirigente do sindicato, o chamado às centrais sindicais e movimentos para a construção de uma Greve Geral foi aprovada por ampla maioria dos delegados. 
 
Além da Greve Geral para enfrentar as medidas de ajuste fiscal e retirada de direitos, os delegados aprovaram um programa para enfrentar a crise. Entre as medidas estão a suspensão do pagamento da dívida pública; a defesa dos empregos, contra qualquer flexibilização dos direitos como propõe o PPE (Plano de Proteção ao Emprego) da CUT que propõe reduzir salários; a redução da jornada de trabalho sem a redução dos salários, entre outras medidas.
 
Internacional
Não foram apenas as questões nacionais e as lutas dos trabalhadores no país que ganharam atenção dos delegados do Congresso. A conjuntura internacional, com o agravamento da crise capitalista e a ofensiva sobre os direitos dos trabalhadores de todo o mundo, como nos planos de austeridade na Europa, foi também debatida.
 
Entre as principais resoluções aprovadas está o fortalecimento da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, como meio de apoiar o sindicalismo alternativo e independente no processo de reorganização que se dá em várias partes do mundo. Dentro disso, um indicativo de uma semana de ação intercontinental no segundo semestre deste ano sobre a situação internacional e a luta dos trabalhadores. 
 
Haiti
O Congresso aprovou também uma resolução exigindo a retirada imediata das tropas do Haiti. A resolução foi apresentada pela União Social dos Imigrantes Haitianos (USIH), organização fundada com o apoio da CSP-Conlutas em fevereiro, e defendida no plenário do Congresso por seu Secretário Geral, Fedor Bacourt. “Basta de ocupação, queremos um Haiti livre e soberano”, disse Fedor, sendo bastante aplaudido antes de a proposta ser aprovada por unanimidade.
 
Opressões
Nessa sexta também foram aprovadas as resoluções referentes à luta contra as opressões. Não só as medidas específicas ligadas a cada setor foram debatidos, mas também o efeito de políticas mais gerais impostas pelo governo e que afeta sobretudo os setores oprimidos. “A terceirização e a retirada de direitos tem rosto de mulher, mulher negra e pobre, e por isso o MML luta com toda energia contra esses ataques, as MP’s e o ajuste fiscal”, defendeu Silvia Ferraro do Movimento Mulheres em Luta. 
 
Além da derrubada da PL das Tercerizações e as MP’s, o Congresso votou pela aplicação de 1% do PIB ao combate à violência à mulher, creche pública, descriminalização e legalização do aborto. 
 
Da mesma forma que atinge as mulheres, os ataques aos trabalhadores também afeta a população LGBT, submetida aos trabalhos mais precarizados e, portanto, mais exposta a medidas como a mudança do seguro-desemprego. O Congresso também aprovou a exigência da criminalização da homofobia e o rechaço às medidas conservadoras do Congresso Nacional como o estatuto da família, a redução da maioridade penal e o agravamento da criminalização do aborto. O “Fora Eduardo Cunha” foi aclamado pelo plenário. 
 
Duas resoluções sobre o racismo foram apresentadas ao Congresso, uma elaborada pelo Quilombo Raça e Classe e outra pela diretoria do Sintrajud-SP. O Quilombo elaborou uma análise global sobre o racismo e a sua relação com o capitalismo, defendendo um programa classista contra a opressão às negras e negros, destacando a luta contra a criminalização da juventude negra.