Defender os “contratos” ou as necessidades populares?

Se depender do governo FHC, do seu candidato e dos falsos candidatos de oposição (Ciro e Garotinho), não só a Embratel deverá ser repassada para outro grupo privado (pelas regras da própria Anatel isso só pode ser feito em 2003) como também entrará dinheiro público do BNDES para o conjunto das teles privatizadas, as quais estão em uma tremenda crise.
Por outro lado, chega a ser constrangedor o silêncio do programa da candidatura Lula a respeito da questão da reestatização das empresas privatizadas e do setor de telecomunicações, em particular. Nesse caso, apesar de denunciar o modelo atual, não propõe nada além de revisar a política tarifária e “dentro dos marcos regulatórios e contratuais vigentes, caberá acompanhar e co-participar dos processos de fusão e incorporação das empresas, visando assegurar a manutenção dos espaços competitivos” (Programa de Governo Lula 2002).
Ou seja, não passa pela cabeça de Lula a reestatização das empresas privatizadas. Contudo, a atual crise o colocará, caso seja eleito presidente, diante de um “probleminha”: em 2003, as empresas em crise, como a Embratel, serão simplesmente repassadas para outros tubarões do setor privado, como prevê as regras dos “marcos regulatórios e contratuais atuais”.
A reestatização é uma bandeira legítima de modo geral, urgente no caso das telecomunicações e do setor elétrico e inadiável no caso particular da Embratel.
Uma empresa que já foi um patrimônio nacional-estatal está à beira da quebra, com graves conseqüências para o emprego de milhares de trabalhadores e milhões de usuários, pois sabemos para quem será repassada a conta de tal crise.
Portanto, a imediata reestatização da Embratel, sem qualquer indenização para os bandidos fraudadores que a controlam é uma questão de soberania nacional, de interesse público e de defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo pobre.
Post author Fernando Silva,
da redação
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