Debate sobre governos Lula e Alckmin polariza congresso em São Paulo

Ocorreu em Sumaré, no interior de São Paulo, de 26 a 29 de novembro, o XIX Congresso da Apeoesp, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo. Com cerca de 2.400 delegados, o congresso evidenciou o crescimento da Oposição Alternativa

O congresso aconteceu quando se aprovava a reforma da Previdência no Senado, e foi polarizado pelo debate em torno do governo Lula e a relação de suas políticas neoliberais com as aplicadas em São Paulo pelo governo Alckmin.

Na abertura, Dirceu Travesso, o Didi, dirigente do PSTU e da CUT, responsabilizou a reforma da previdência do governo Lula. Como uma inegável base de apoio para a aprovação desta mesma reforma em São Paulo, que confiscou 5% dos salários dos professores.

No debate sobre conjuntura nacional, João Felício, ex-presidente da CUT, e Valério Arcary, do PSTU, aprofundaram a polêmica, ao discutir a natureza do governo Lula e as perspectivas da esquerda brasileira.

Também na mesa sobre Educação, a qual fez parte o professor Luís Carlos Lucas, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), questionou-se a política educacional do governo Lula.

Contra a vontade da Articulação Sindical, o debate político estava pautado.

Um congresso burocratizado que não impediu o crescimento da Oposição Alternativa

Os grupos de discussão se limitaram à tarde e ao início da noite da quinta. Além do pouco tempo, os grupos foram obrigados a propor emendas à tese guia, da Articulação.
Na plenária final do congresso, foi reservada apenas uma hora para votar as emendas relativas a cada um dos pontos da pauta. Por isso, nem 25% das emendas propostas sobre conjuntura nacional e internacional puderam ser votadas.

Apesar desta estrutura burocrática, montada para impedir o debate, a Oposição Alternativa (da qual fazem parte o PSTU, ex-petistas, independentes e militantes da esquerda do PT) foi a corrente que mais cresceu – mais de 800 delegados – constituindo sozinha 30% do plenário. Este fato, por si só, obrigou a Articulação Sindical, a ArtNova (racha da Articulação na categoria) e a Corrente Sindical Classista (PCdoB) a formarem um bloco em praticamente todas as votações.

Aprovada moção contra Marinho e Vicentinho

Apesar do emblocamento desta frente governista, foi aprovada a moção de repúdio a Marinho e Vicentinho (atual e ex-presidente da CUT) por estar fazendo publicidade da Universidade Bandeirantes (Uniban), de São Paulo. A moção exige que os dois se retratem e encabecem uma campanha em defesa da Universidade pública.

Plano de lutas

O ponto mais alto da plenária final foi a aprovação do plano de lutas apresentado pela Oposição Alternativa. O calendário começa em dezembro, com a luta pela manutenção do quadro escolar, passa pela atribuição de aulas e planejamento em janeiro e fevereiro, por reuniões com pais e alunos e plenárias nas subsedes do sindicato, culminando com uma grande assembléia até o final de março. A conclusão seria a greve em defesa da escola pública, de emprego e salário.

Post author Edgard Fernandes Neto e José Geraldo Correa Gegê, diretores da Apeoesp
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