Debate marca o início do I Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta


Mesa de abertura reafirma a necessidade de um movimento de luta feminista e classista

Uma mesa representando diversas entidades de esquerda, do movimento sindical e feminista marcou a abertura oficial do I Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta, o MML, movimento classista e feminista ligada à CSP-Conlutas. A abertura deste que pode ser um evento histórico para as mulheres trabalhadoras ocorreu em Belo Horizonte e reuniu algo como 500 mulheres.

A mesa que abriu o encontro contou com representantes da CSP-Conlutas, Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Frente pela Legalização do Aborto, Marcha das Vadias-BH, Marcha Mundial de Mulheres, MTST, Movimento Luta Popular, Rede Feminista, PSOL, PSTU e LER-QI. Estiveram presentes ainda representações internacionais da Argentina, Estado Espanhol, Índia, Inglaterra, Alemanha e da Síria.

Este encontro materializa nossa certeza desse projeto que discutimos para a CSP-Conlutas“, afirmou Joaninha Oliveira, representante da central referindo-se à ideia de construir e impulsionar uma organização que unisse não só os sindicatos, mas os movimentos sociais e as organizações de luta contra as opressões, como o próprio MML.

A dirigente do PSTU, Vanessa Portugal, destacou o caráter histórico do encontro. “Talvez as mulheres mais jovens que estão aqui não tenham a dimensão deste encontro, mas podemos afirmar que se trata do maior encontro classista de mulheres dos últimos 20 anos“, disse, ressaltando que ele está sendo realizado justamente no momento em que a presidência está nas mãos da primeira presidente mulher do país, numa crítica à tese do “empoderamento”. “Algumas certezas estão sendo destruídas, mas outros sonhos vão se construindo“, afirmou, sendo muito aplaudida.

Vanessa se delimitou ainda com os movimentos feministas que não contam com o recorte de classe e reduzem a luta à questão de gênero. “Sem os homens não é possível a luta pelo socialismo, mas sem as mulheres também não“, disse.”Eu sou de luta/sou radical/estou em luta no Encontro Nacional” entoavam as mulheres dos mais variados cantos do país.

Já Laura Symbalista, da Frente pela Legalização do Aborto reafirmou que “este encontro é extremamente importante para reunir e organizar o movimento feminista“. Helena Silvestre, do Movimento Luta Popular, que dirige atualmente uma ocupação urbana com mais de mil famílias em Osasco, destacou a importância da luta das mulheres. “Historicamente, as mulheres sofreram várias imposições: na saúde, na educação, na família; o machismo de alguma forma impôs um lugar pra ela”, denunciou, afirmando em seguida que “é preciso lutar contra essa imposição e mostar que o lugar da mulher é onde ela quer estar e na luta, disse”.

Lola Escreva Lola
Lola Aronovich, professora de Letras da UFC e autora do blog Escreva Lola Escreva, referência no assunto e no movimento feminista, relembrou uma coincidência entre as datas em que surgiram seu blog e o MML, ambos em 2009. “Meu blog é pessoal, virtual; já o MML é coletivo e social“, disse. “Muitas mulheres se descobriram feministas lendo meu blog, ficaria muito feliz caso essas mulheres viessem a encontrar uma ferramenta política como o MML para fortalecer a sua luta por direito“, afirmou.

A blogueira elogiou a diversidade encontrada ali. “Acho fantástico qu estejamos em um movimento de mulheres que tem tantas negras, homossexuais, transexuais, trabalhadores; é preciso que os movimentos e os partidos políticos deem ainda mais voz a essas mulheres”, defendeu.

Lola não deixou de criticar o governo Dilma. Embora considere que sua eleição foi “importante”, ela disse estar “muito decepcionada com esse governo”. “Eu esperava mais do primeiro governo de uma presidente mulher nesse país”, afirmou.

Expectativas superadas
A preparação do encontro já havia demonstrado bastante força, com pré-encontros realizados nos estados, assim como diversas campanhas financeiras realizadas pelas mulheres para viabilizar a ida das caravanas a Minas, mantendo a independência financeira e política em relação aos governos. Já as inscrições confirmaram a agitação nas regiões, superando todas as expectativas com algo como 2300 mulheres.

Após a abertura, o encontro segue nos dias 5 e 6 na cidade de Sarzedo, na grande Belo Horizonte.