Da guerrilha de esquerda à ditadura burguesa

Em julho de 1979, após dois anos de luta intensa, caía o ditador Anastácio Somoza e triunfava a Revolução Nicaraguense. Depois de mais de 40 anos de ditadura somozista, o povo pôde festejar nas ruas a liberdade conquistada pela insurreição popular dirigida pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN).

Os dirigentes sandinistas eram tidos como exemplo de revolucionários pela esquerda de todo o mundo. No entanto, passados outros 40 anos, as novas gerações estão de novo nas ruas. Dessa vez, para lutar contra o governo da Frente Sandinista e de Daniel Ortega, que sempre encabeçou os governos da FSLN.

A chamada “esquerda bolivariana” tenta defender o governo Ortega dizendo que as mobilizações são estimuladas pelo imperialismo e pela direita para derrubar um suposto governo progressista. Porém os estudantes e o povo que se lançam às ruas não se organizam nem defendem partidos de direita. Suas palavras de ordem são contra a ditadura da FSLN e pelo “Fora Ortega”.

Os 76 mortos pelas mãos da polícia e dos grupos paramilitares sandinistas são uma enorme mancha sangrenta do governo. Junto com a repressão selvagem e com as centenas de feridos e presos são uma prova viva dessa ditadura que a esquerda nega.

Como se deu essa transformação? Como a FSLN, que foi uma guerrilha de esquerda que lutava contra uma ditadura, transformou-se num governo capitalista ditatorial?