Conselho de Segurança da ONU prorroga ocupação militar do Haiti

Ato em Brasília pelo fim da ocupação militar do Haiti

Longe de qualquer atividade de reconstrução, prioridade das tropas no país é garantir as eleições em novembroO Conselho de Segurança da ONU prorrogou, nesse dia 14 de outubro, o mandato das tropas que mantém no Haiti. Ele expiraria no dia 15. Com a decisão, a Minustah tem garantida mais um ano de atuação no país. O texto aprovado mantém o efetivo de 9 mil soldados e oficiais, além de 4.300 policiais.

Longe de propor qualquer esforço pela reconstrução do país, nove meses após o terremoto que destruiu a capital Porto Príncipe, o texto aprovado pela ONU coloca como principal objetivo das tropas a segurança na realização das eleições em 28 de novembro. “A resolução chama a Minustah a continuar seu apoio ao processo político que tem lugar no país e seguir prestando sua assistência ao governo haitiano e ao Conselho Eleitoral Provisório nos preparativos dos comícios”,, diz o texto.

Isso enquanto grande parte da população da capital ainda sobrevive em condições precárias em acampamentos. Cerca de 1,5 milhão de pessoas ainda estão desabrigadas. Segundo o Jubileu Brasil, apenas 4% dos escombros foram retirados até agora.

Protestos
O dia em que terminaria o mandato da Minustah foi escolhido como um dia de luta pela retirada das tropas do Haiti. Manifestantes no Brasil e no país caribenho exigiram o fim imediato da ocupação, que já dura seis anos.

Em Brasília, militantes da CSP-Conlutas, do MTST e da Juventude do PSTU protestaram em frente ao prédio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. Já na capital do Rio de Janeiro, o Jubileu, junto com organizações sindicais e populares, como o MST e a CSP-Conlutas, convocaram uma panfletagem para denunciar a ocupação e exigir o seu fim.

No Haiti também estava programado um ato de repúdio contra a Minustah. No dia 1º de outubro os haitianos já haviam ido para a rua protestar contra as tropas de ocupação lideradas pelo Brasil. Liderados pela organização popular Batay Ouvryie, eles realizaram uma manifestação em frente ao consulado brasileiro.