MIT-Chile

Os processos de luta no mundo mostram que esse sistema não atende às necessidades básicas da população trabalhadora. Em particular, a América Latina tem 45 milhões de pessoas em risco de pobreza e a situação vai piorar.

No Chile, a situação piorou ainda mais com a pandemia. E quando saímos para reivindicar nossos direitos, o governo responde com repressão e assassinatos. Nos Estados Unidos, país que se orgulha de ser um defensor exemplar da “democracia”, vemos que a população negra é assassinada e ao mesmo tempo, diante das mobilizações contra a violência policial, começam a surgir grupos e gangues armadas de civis brancos que as atacam com a conivência total da polícia. É importante saber que essa democracia não é para todos, mas para grandes empresários e banqueiros. Essa “democracia” serve para proteger os ricos e condenar o povo à miséria, como é o caso do Chile, dos Estados Unidos, do Brasil ou de qualquer outro país “democrático” do mundo.

Embora saibamos que essa democracia não nos representa, ela ainda está viva. No Chile, o processo eleitoral que vai acontecer é mais importante do que uma eleição normal, pois não é uma eleição presidencial ou parlamentar comum, é o início de um Processo Constituinte enganador, mas que foi concedido pelos de cima apenas por causa da luta árdua e incansável que os trabalhadores chilenos realizaram.

O que a classe empresarial e seus partidos querem com esse processo?

Já nas campanhas pelo “aprovo” e pelo “rechaço” vimos uma pincelada. Não se pode dizer que a direita e a ex-nova maioria mais a Frente Ampla são iguais, porque enquanto vemos a direita chamando a votar pela rejeição, falando hipocritamente em reformar tudo agora, vemos por outro lado desde a Democracia Cristã-DC até a Frente Ampla chamando para aprovar, porque segundo eles votando por aprovar vai ser possível mudar a vida. O Partido Socialista – PS se destaca com um discurso desavergonhado de defesa do socialismo, quando foi ele que por mais de 30 anos aprofundou a privatização de tudo dentro deste sistema capitalista.

O que fica evidente é que todo mundo está legitimando esse processo de votação, aliás, até o governo assume que o “aprovo” vai ganhar e hoje boa parte da direita está se centrando para orientar seus votos para a Convenção Mista porque assim eles podem restringir muito mais este processo constituinte.

É que, desde o dia do Acordo de Paz, após o protesto de 12 de novembro, ficou nítido que um dos objetivos desse Processo Constituinte é tentar apagar nossos protestos, ou pelo menos impedir que se espalhem. É isso que querem a classe empresarial e seus partidos, por isso, embora não gostem muito, legitimam o Processo. Espalham a ilusão de serem capazes de mudar a vida, mas em um Processo que provavelmente não mudará quase nada.

Isso está evidente por que: a) o processo será encabeçado e provavelmente assinado pelo criminoso Piñera, que deveria estar preso após as violações de direitos humanos; b) é um processo realizado com centenas de companheiros da primeira linha nas prisões; c) os acordos de livre comércio que conferem nossa soberania às empresas transnacionais que só vêm para destruir o meio ambiente e saquear nossos recursos, explorando os trabalhadores em excesso, não podem ser alterados; d) o método de eleição dos delegados constituintes é quase o mesmo que o de eleição dos parlamentares, que é financiado pelas empresas e privilegia às listas e ao sistema bipartidário, tirando a possibilidade de trabalhadores independentes e lutadores disputarem cargos; e) é impedida a participação das lideranças sindicais e sociais e dos jovens de 16 anos, que foram os iniciadores da revolução; f) além do ⅔ quórum para aprovar qualquer coisa, o que lhe dá um espaço gigante à direita.

Na verdade, muito pouco pode ser alterado com esse panorama. É isso que querem o empresariado e os partidos por eles financiados (UDI, Evopoli, PS, RN, DC). A diferença entre UDI e PS, por exemplo, é que os primeiros acreditam que para não mudar nada é melhor votar rejeição, os outros que é melhor votar aprovo.

A artimanha da Frente Ampla e do Partido Comunista

É verdade, a Frente Ampla (FA) e o PC nitidamente não são o mesmo que Piñera e a direita, mas são muito mais perigosos com seus discursos enganadores. Assim como a anterior concertação e o PC fizeram para o plebiscito de 1988, hoje o PC e a FA instigam a ideia de que indo votar a alegria virá ou conquistaremos grandes mudanças. Os fatos e a história deixaram evidente que este não é o caso.

Embora reconheçam que o Processo Constituinte é cheio de armadilhas, eles chamam apenas para pressionar para que mais mudanças sejam realizadas por meio dele, mas o problema é que o Processo geral -com mais ou menos mudanças- é uma armadilha. É uma armadilha porque a cada medida que queremos promover na nova constituição, para ser garantida teremos que realizar um luta muito forte que passa centralmente pelas ruas, fora do processo eleitoral. Se mesmo com todos os protestos não conseguimos acabar com as AFPs e eles já assassinaram mais de 40 companheiros, prenderam mais de 2.000 e torturaram milhares, para conseguir todas as mudanças que desejamos em uma Constituição, este processo revolucionário tem que ir mais longe Além do que foi em 12 de novembro do ano passado, e isso o PC e a FA escondem. E mais, quando puderam criminalizaram nossa luta votando a lei antisaque como fez a FA.

Por isso, neste processo constitucional não podemos cair nas armadilhas do empresariado ou da FA e do PC, que apenas procuram desviar a nossa luta.

Então, por que é importante que nós, trabalhadores, jovens e povo pobre participemos do processo?

Existem trabalhadores, povo pobre e companheiros/as da primeira linha que, sabendo desta realidade, estão relutantes em votar e participar do processo disputando delegados constituintes. Como eles, sabemos que este processo é uma farsa, mas ao mesmo tempo acreditamos que é muito importante participar dele, porque a maioria dos trabalhadores com razão sabe que é a única coisa – além da retirada de 10% – que conseguimos arrebatar a este governo.

No entanto, devemos participar do Processo denunciando suas armadilhas, apresentando um projeto popular operário para superar a atual crise econômica e de saúde, e promovendo dessa tribuna o chamado à retomar as ruas que avance para uma greve geral combinada com protestos nos bairros por todas as nossas demandas dessa tribuna divulgar a mensagem de que é importante fortalecer a autodefesa e ampliar a primeira linha, etc. Por isso, é imprescindível que nós que estivemos nas ruas lutemos para conquistar a aprovação e para que tenhamos candidatos que nos representem verdadeiramente, e que não sejam os mesmos de sempre.

Por isso, em primeiro lugar, convocamos a votar pelo aprovo e Convenção Constitucional (CC), além de marcar Fora Piñera e Assembleia Constituinte (AC) no voto. A Convenção Constitucional (CC) também é uma armadilha e por isso não devemos sair das ruas, porque o método de eleição dos delegados é como o dos parlamentares, porém, com CC eliminamos de uma pincelada que os repudiados parlamentares participem desse processo e abrimos, mesmo que seja um pequeno espaço para os lutadores independentes se candidatarem com o objetivo de denunciar todo este Processo perante um público mais amplo.

Em segundo lugar, devido às restrições de participação dos independentes, fazemos um chamado a que os partidos legais, desde a FA e o PC à esquerda abram suas listas para que os lutadores independentes concorram como candidatos constituintes, já que esse processo pertence a aqueles que deram suas vidas nas ruas, não aqueles que ficaram em sessões do parlamento votando leis que criminalizam como a FA. Exigimos que abram suas listas, mas sem nenhuma imposição político-programática ou financeira. Que abram suas listas a candidatos independentes que têm todo o direito de criticar e denunciar publicamente até mesmo o projeto da FA, do PC e de todo o empresariado com este Processo Constituinte, candidatos que impulsionem a luta por:

  • Fora Piñera e todos eles
  • Liberdade para os presos políticos! Defender e fortalecer a primeira linha!
  • Fim das AFP`s AGORA, pela expropriação destas e dos bens dos Luksic, Piñera e das 10 famílias mais ricas que saquearam o Chile
  • Assembleia Constituinte livre e soberana

Porém, no MIT somos categóricos ao dizer que para alcançar tudo isso, precisamos continuar esta revolução, a luta nas ruas, a organização operária e da população, para que finalmente sejam os trabalhadores que tomem o poder, a única garantia de conquistar e manter todas as nossas reivindicações. Acima de tudo, o MIT aprova “Trabalhadores ao poder!” Para acabar com a democracia dos ricos e impulsionar um plano de emergência em face da crise, através do mecanismo de uma democracia real, uma democracia onde a classe operária (aqueles que produzem toda a riqueza) e o povo tenham o poder em suas mãos.

Tradução: Lena Souza