Chile, 12 de novembro: Greve Geral e marchas multidinárias por todo o país

    Mariana, de Santiago

    O país despertou esta madrugada com barricadas em muitos pontos. A Greve Geral tem ampla adesão. Paralisação quase total dos transportes. Alguns setores decidiram inclusive  parar 48 horas e não só as 24 como convocou a Mesa de Unidade Social (que agrega vários sindicatos e organizações).

    À greve se somaram marchas multitudinárias por todo o país, das quais os dirigentes ou a burocracia sindical não conseguem ser os “porta-vozes”. As pessoas nas ruas repetem “Fora Piñera”, que “se vayan todos”, que não dá mais: que a Previdência por capitalização tem que acabar, que a educação, saúde, transporte devem ser público e gratuito e estatal. Enfim, que o Chile despertou e que não está em luta só por 30 pesos, mas por 30 anos.

    Nos bairros e inclusive estradas pelo país, a mobilização e enfrentamentos com os Carabineros é generalizada.

    No Chile, o Poder Executivo fica em Santiago, no Palácio de La Moneda. Já o Parlamento (o Legislativo) fica em Val Paraíso. O Congresso hoje também não funcionou, pois os funcionários alegaram que teriam dificuldade em chegar pela Greve Geral.

    A repressão à vanguarda das manifestações continua, e também as prisões e os feridos.

    O governo continua (junto com a mídia), querendo dividir os “pacíficos”, dos “violentos”. De um lado força a repressão. Hoje em Santiago, jogaram massivamente gás de pimenta na marcha multitudinária. A auto-defesa também aumenta, de maneira que os Carabineros também estão sendo desbordados diante da mobilização generalizada.

    Na outra ponta, tenta desviar essa verdadeira revolução que começou para a via eleitoral, sob controle do governo, do parlamento atual e da Constituição dos anos 1980 (que é a mesma de Pinochet).

    De maneira que há diferentes propostas de Constituinte que pretendem mudar algo para que tudo continue igual. A proposta do governo é que o parlamento atual modifique alguns pontos da Constiuição e depois a submeta a referendo. Uma farsa! Porque as pessoas querem que saia Piñera e todos os políticos atuais. A proposta do PC e da Frente Ampla é fique Piñera e que o Congresso atual mude um ponto nesta Consituição que permita, desde a institucionalidade atual e a mesma constituição dos 80, convocar um Plebiscito a favor ou contra a eleição de uma Assembléia Constituinte. Enfim! Uma nova eleição, mas controlada pelo Congresso atual, com a participação dos mesmos partidos tradicionais e controlada pelo mesmo poder econômico que governa o Chile desde sempre.

    Enquanto isso, a mobilização não pára. O que está em curso é o início de uma revolução. As mobilizações são diárias e estão por toda parte. Os saques às grandes redes de supermercados e a destruição ou incêndio de muitos deles, ou a destruição de 27 estações de metrô, mostram o grau da revolta. Nos saques aos supermercados, por exemplo, a população divide a comida, mas os demais itens (televisores etc, etc) ninguém leva, destroem. Dizem: não somos ladrões. Não queremos é continuar sendo roubados, chega de desigualdade e injustiça, queremos igualdade e dignidade.

    As assembléias populares começam a se organizar e se generalizar.

    Há que se multiplicar, coordenar e centralizar essas assembléias populares. Elas podem colocar em pé um plano de emergência que garanta as reivindicações principais dos trabalhadores e do povo e organizar a defesa das manifestações e da população.

    Não se pode sair das ruas até pôr fora Piñera, todos eles e a Constiuição dos 80. Uma Assembléia Constituinte, para que seja livre e soberana e não uma fraude e enganação, precisa ser convocada e controlada pelas Assembléias Populares. Este é o caminho para construir um governo operário e popular, baseado nas Assembléias Populares, para colocar assim os trabalhadores e o povo no poder, como defende a declaração do MIT (Movimento Internacional dos Trabalhadores), organização que reivindica a LIT-QI no Chile e defende a revolução socialista.