Centrais sindicais pedem a Lula mais ajuda às empresas

Seis centrais foram recebidas por Lula. Reunião não garantiu medidas contra as demissõesIsenção fiscal, linha de crédito às empresas, corte na taxa de juros e suspensão das licitações para as empresas contratadas pelo governo federal. O tema da ajuda às empresas ganhou força na reunião das centrais sindicais com o presidente Lula, na tarde desta terça, dia 19, em Brasília. A reunião contou também com a presença da ministra da Casa Civil Dilma Roussef e do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

No mesmo dia em que era divulgado o corte recorde de empregos em dezembro, representantes de seis centrais recebidas por Lula pediam medidas para ajudar as empresas. Ricardo Patah, presidente da UGT, chegou a afirmar que o principal problema vivido pelos trabalhadores é a falta de crédito. Ele reivindica a abertura de uma linha especial de crédito pelo BNDES às pequenas empresas. Junto a isso, a edição de Medida Provisória suspendendo a necessidade de licitações para empresas contratadas pelo governo.

Já a CUT voltou a pedir redução de impostos, como o ICMS e o IPI. A Força Sindical, que chegou a pregar a suspensão dos contratos de trabalho para ajudar as empresas, centrou suas reivindicações na redução dos juros. A medida é também a principal bandeira cutista, que convoca mobilizações para esta quarta, dia 21, para pressionar o Banco Central e a próxima reunião do COPOM.

Além da CUT, Força Sindical e UGT, a audiência teve a participação da CTB, NCST e CGTB. Ao final de três horas de reunião, nenhuma medida concreta foi acordada para garantir os empregos. O governo se comprometeu apenas a incluir as direções das centrais no acompanhamento dos empréstimos de recursos do FAT e do FGTS às empresas. Nem mesmo a estabilidade aos funcionários de empresas que recebam isenções, contrapartida levantada tanto pela CUT como pela UGT, foi aceita pelo governo.

Só o discurso muda
O ano de 2008 terminou com a maior central do país negando a existência da crise econômica. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, chegou a convocar os trabalhadores ao shopping, para consumirem. Seguindo o discurso oficial, os sindicalistas da CUT no ABC diziam para os trabalhadores “desligarem a TV” e ignorarem o noticiário sobre a crise.

Agora, após a enxurrada de demissões, principalmente os 273 mil na indústria em dezembro, a CUT foi obrigada a readequar seu discurso.

Se a denúncia das demissões foi adotada pelas centrais, a política continua a mesma. Para a CUT e demais centrais, as demissões são provocadas pelas dificuldades enfrentadas pelas empresas num momento de crise. A solução, portanto, seriam mais isenções e subsídios às empresas.

Esse discurso desconsidera os lucros recordes conquistados pelos mais diversos setores do empresariado nos últimos anos, cuja maiores expressões são a Vale, o setor da construção civil e a indústria automobilística. Em ocasiões passadas, as montadoras já provaram que subsídios não garantem empregos, mas tão somente a margem de lucros e as remessas para o exterior.

Estabilidade no emprego. Nenhum direito a menos
As empresas lucraram durante anos, com os governos do PT e do PSDB. Bancos, montadoras e grandes empresas bateram recordes de lucros, ano a ano. Foi um período de crescimento da economia. Agora, com a crise do capitalismo, os patrões não querem abrir mão do que acumularam e querem jogar a crise sobre as costas dos trabalhadores.

A saída está na luta e na resistência, para garantir os empregos, sem abrir mão de nenhum direito. A ajuda às empresas garante apenas o lucro de seus donos. A flexibilização de direitos fará com que estes, duramente conquistados, jamais retornem. A saída é a proposta da Conlutas, de uma grande campanha nacional contra a crise, as demissões e pela estabilidade no emprego.