Campanha distribuirá jornais no metrô, com as razões da tragédia na linha 4

Jornal convocará ato público na Sé. Enquanto isso, prefeito faz piada sobre o acidenteNesta terça feira, dia 30 de janeiro, foi realizada uma reunião das entidades que estão fazendo parte da campanha contra a privatização do metrô de São Paulo e pela garantia de segurança na Linha 4. Estiveram presentes o Sindicato dos Metroviários, o sindicato dos trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – Região Leste, a Apeoesp, o Sindicato dos Radialistas, a Conlutas e a Pastoral Operária, entre outras entidades.

Depois da tragédia que matou sete pessoas e chocou o país, o objetivo das entidades é denunciar a privatização do metrô e os riscos de segurança na obra, tanto para metroviários da empresa, para os operários e para a população que mora na região ou que utilizará a nova linha. Segundo Alexandre Leme, da minoria da direção do Sindicato dos Metroviários e militante do PSTU, “é importante iniciar uma forte campanha, que tenha como eixo o combate às Parcerias Público Privadas, onde os governos entregam as obras para empresários, que só pensam em seus lucros.” Segundo Alexandre, para garantir uma forte campanha, é essencial discutir com a população. “Um setor que precisa se mobilizar é a comunidade universitária da USP, já que estará entre os principais usuários da Linha 4”, afirma.

As entidades discutiram a preparação das próximas atividades de campanha. No dia 6, sindicalistas farão um depoimento na Assembléia Legislativa de São Paulo. No dia 8, terá início a distribuição de um jornal especial para os usuários do metrô. Neste primeiro dia, o jornal será entregue nas principais estações, como Jabaquara, Sé, Itaquera e Barra Funda. No dia 12, um mês após a tragédia, haverá uma homenagem ecumênica às vitimas e uma manifestação, na Praça da Sé.

A reunião discutiu o conteúdo de um texto que será a base para um manifesto e o jornal. Uma versão definitiva está sendo preparada, incluindo aspectos como a necessidade de embargar o conjunto da obra da Linha-4, pela completa falta de garantia de segurança. E não uma interdição parcial, incluindo apenas algumas estações, como foi feito nesta terça-feira. O jornal também exigirá uma fiscalização independente e o fim do contrato atual da obra, no modelo turn key, onde o Estado se exime de acompanhar e fiscalizar o andamento.

Infeliz
Nesta semana, um jornal da TV Cultura divulgou cenas onde o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL), aparece fazendo uma piada sobre a tragédia no metrô. Ao lado de assessores e secretários, Kassab brinca: “Tem aquele motel ao lado do buraco do acidente do metrô que, quando veio o estrondo, imagina a zoeira que foi! Todo mundo saindo dos quartos…“, narra o prefeito. Segundo ele, a cena teria sido uma “comédia“ para quem estava lá, “apesar da tragicidade do momento“.

Apesar das cenas, o prefeito afirmou que trata-se de um “mal entendido”. O vídeo está publicado no YouTube. Veja abaixo:

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