Caminhoneiros se rebelam contra aumento dos combustíveis

Caminhoneiros fazem protesto contra a alta no preço dos combustíveis na BR-040, próximo a Brasília Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Caminhoneiros em todo o Brasil protestam contra o aumento dos combustíveis. Nesta terça, 22, é o segundo dia de manifestações da categoria e já atinge ao menos 20 estados. Mais de 300 mil caminhoneiros estão mobilizados no país, segundo a categoria. Diante da pressão nacional, o governo Temer anunciou uma redução de apenas 2,08% na gasolina e 1,54% no diesel, enquanto que o óleo diesel acumulou uma alta de 12,3% no mês de maio. Uma vergonha.

O que explica o Brasil ser um país rico em petróleo e ter a segunda gasolina mais cara do mundo? Ao invés de investir no parque de refino e desenvolver a Petrobras como uma empresa nacional, 100% estatal, o governo Temer e todos os governos anteriores fizeram o movimento contrário. Desde FHC (PSDB), passando pelos governos de Lula e Dilma (PT), agora por Temer, a estratégia é privatizar a Petrobras e secundarizar o refino.  O objetivo é transforma o Brasil em um grande exportador de petróleo cru e importador de refinados, deixando nosso povo refém das grandes multinacionais instaladas nos países imperialistas.

Não é à toa que a categoria petroleira discute fazer uma greve nacional por conta do anúncio da privatização de quatro refinarias (duas no Nordeste e duas no Sul do país), além de 12 terminais Transpetro e o fechamento das Fafens.

Caminhoneiros em Sergipe
Nesta terça, 22, na BR 101, povoado Pedra Branca, município de Laranjeiras, depois de liberar a pista, os caminhoneiros continuam em protesto, fechando o acesso aos postos de combustível da região.

No porto de Sergipe, município da Barra dos Coqueiros, os caminhoneiros iniciaram uma paralisação na noite desta segunda-feira, 21, com o apoio da CSP-Conlutas. Eles se recusavam a retirar as mercadorias que haviam chegado de navio.  Além de ser contra o aumento do preço do diesel, eles exigiam das empresas reajuste no preço do frete, de R$ 13,00 a tonelada, para R$ 18,00.

As empresas não queriam ceder. Primeiro disseram que só negociavam depois que o navio que estava atracado fosse descarregado. Os caminhoneiros rejeitaram por unanimidade essa proposta. Não demorou muito tempo, as transportadoras apresentaram uma nova proposta. Reajustar para R$15,00 a tonelada, descarregar o navio e continuar a negociação nos próximos dias.

A maior parte da mercadoria que estava retida no porto pertencia à Heringer Fertilizantes. Eram 16 mil toneladas de MAP (Mono-Amônio-Fosfato), produto utilizado na produção de fertilizantes. O gerente geral da empresa, Gerson Almeida da Silva, declarou que o reajuste pedido era inviável e que não achava justo que o aumento do diesel onerasse as empresas.

O lucro líquido da Heringer só no primeiro trimestre de 2018 foi de R$ 46,7 milhões. Ou seja, é uma empresa forte no país, uma das maiores de Sergipe, tem vários benefícios em isenções fiscais por parte do governo, que abre mão de receber impostos que iriam para a saúde e educação pública.

Os caminhoneiros, responsáveis por parte de todo esse lucro da empresa, são trabalhadores, pais de família, que muitas vezes não têm como levar nem o pão para casa porque, de um lado, o governo aumenta o diesel e, do outro, as empresas fazem miséria para não reajustar o valor do frete. “Há mais de cinco anos o frete nesse preço e o diesel aumentando todo santo dia. Fica difícil trabalhar desse jeito. Não tem condições de manter pneu, de fazer manutenção do caminhão, nem de manter a família”, declara um caminhoneiro.

As empresas não concederam o reajuste que os caminhoneiros queriam, mas o sentimento é de vitória. Devemos ser solidários a essa luta e seguir o exemplo dos caminhoneiros. Nós não acreditamos que pelas eleições vamos resolver nossos problemas. A classe trabalhadora brasileira não tem nenhum futuro se não se rebelar”, afirma Djenal Prado, coordenador estadual da CSP-Conlutas, pre-candidato a vice-governador em Sergipe pelo PSTU.