Brasil quer seguir o modelo de entrega e doação colombiano

Grande parte do petróleo da Colômbia é leve e light, variando entre 28 e 36 graus API, escala hidrométrica que mede a densidade relativa de líquidos. Metade do petróleo extraído da Colômbia vai para os Estados Unidos. A outra metade é comercializada internamente pelas Big Oil, associadas à empresa petrolífera estatal colombiana.

A Agência Nacional de Hidrocarbonetos (ANH) é a agência reguladora de hidrocarbonetos da Colômbia. A Ecopetrol é a Empresa Colombiana de Petróleo, de propriedade do Estado. A estatal colombiana que está associada às Big Oil do imperialismo é legalmente a responsável pela exploração, extração, transporte, distribuição e comercialização interna e da exportação de petróleo para os Estados Unidos. O maior campo do país é o complexo Cusiana/Cupiagua, operado pela Big Oil BP. Quase todo o filé mignon da indústria petrolífera colombiana é executado através de joint ventures entre empresas estrangeiras e a Ecopetrol.

Na Colômbia, já funciona ao gosto dos Estados Unidos o modelo de exploração, extração e comercialização interna e de exportação de petróleo que não é nem uma vírgula diferente da proposta apresentada pela comissão interministerial constituída por Dilma Russeff (PT) e Edison Lobão (PMDB).

Conforme a equipe de Colin J. Campbell (revisão de 2006), a Colômbia tinha uma reserva total de 10 bilhões de barris de petróleo. O achado, o gasto, o ainda para achar e o ainda para extrair do total foram, respectivamente, 9,4; 6,3; 0,6 e 3,7 bilhões de barris. Para extrair do achado, restavam apenas 3,1 bilhões de barris.

Segundo a BP Statistical Energy Survey (2008), a Colômbia tinha revelado reservas petrolíferas ainda para extrair de 1,51 bilhões de barris no final de 2007. A Colômbia também declarou em 2007 ter reserva provada de gás natural de 0,12 trilhões de metros cúbicos. A Colômbia extraiu uma média de 560,8 mil barris de petróleo por dia em 2007.

Apesar do pequeno aumento da extração em 2007, a extração de petróleo da Colômbia tem diminuído de forma constante desde 1999, quando o pico de extração foi atingido em 830 mil barris de petróleo por dia. O princípio da causa da diminuição da extração foram declínios causados por depleções naturais existentes em seus campos de petróleo e de uma considerável falta de novas reservas descobertas de campos de petróleo líquido bruto. Mas, das bacias sedimentares da Colômbia, ainda existe uma enorme reserva de gás natural para extrair.

O grosso da produção de petróleo da Colômbia ocorre no sopé dos Andes e no leste da selva amazônica, regiões onde deverão ser instaladas sete bases militares dos Estados Unidos. Redes suplementares de gasodutos serão construídas e montadas para o transporte do gás natural das províncias gasíferas até o sudeste dos Estados Unidos.

O Brasil quer seguir o mesmo modelo colombiano. Aqui, o governo Lula defende a permanência do já existente regime de concessão (entrega) e a aprovação, no Congresso e no Senado comprovadamente corruptos, do regime de partilha (doação) dos pré-sais de terra e de águas rasas, profundas e ultraprofundas. Ambos regimes, concessão (entrega) e partilha (doação), entregam e doam todo o petróleo do povo brasileiro para as Big Oil do imperialismo, como já há muito tempo é feito na Colômbia.