Foto: Marcos Corrêa/PR

Após 79 dias da confirmação da primeira morte registrada de COVID-19, o Brasil bateu, nesta terça-feira, 2, o recorde do registro de mortes num único dia: 1.262 segundo o Ministério de Saúde. O total de mortes notificadas são de 31.199, atrás somente dos EUA, Reino Unido e Itália.

Lembrando que, além da subnotificação, esses números se referem ao registro das mortes confirmadas com COVID-19, sendo que há um atraso entre o momento em que elas ocorrem, os testes e quando são de fato incluídas no sistema. Ou seja, é um retrato de uma ou duas semanas atrás no mínimo.

Na manhã do mesmo dia, Bolsonaro culpou o “destino” pelas milhares de mortes. Respondendo a uma apoiadora que lhe pediu uma palavra de conforto para as famílias enlutadas, o presidente respondeu que “a gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo“. Na ocasião, voltou ainda a defender seu elixir mágico, a cloroquina, a despeito da ausência de evidências científicas sobre a eficácia do medicamento.

Embora o Brasil esteja em quarto lugar no número total de mortes, é o país em que os números de óbitos e contágios mais avançam e, considerando o montante de contaminados, já somos com absoluta certeza o epicentro da pandemia. Considerando o número total de contaminados notificados, mais de 555 mil, o Brasil aparece em segundo lugar atrás somente dos EUA, com 1,8 milhão. Levando em consideração, porém, a enorme subnotificação, que algumas pesquisas apontam esconder até 7 vezes o número real de casos, o país figura no pódio desse dramático ranking.

Apesar disso, o Brasil continua sendo um dos países mais afetados que menos testes aplicam, atrás de países como Venezuela e Peru.

Genocídio

Não existe outra palavra para definir essas milhares de mortes perfeitamente evitáveis que não genocídio. E um culpado: Bolsonaro, que impõe uma política genocida de sabotagem a qualquer medida de quarentena ou isolamento social a fim de forçar a abertura total da economia em prol dos lucros dos bancos e grandes empresas. Segundo projeção da Universidade de Washington, o Brasil terá 125 mil mortes até o início de agosto.

Se Bolsonaro é o principal responsável, os governadores e prefeitos se tornam cúmplices dessa mortandade ao anunciarem a flexibilização da quarentena, já frouxa, justo no momento em que estamos na curva ascendente de contágios e mortes. Como bem expressou um pesquisador do portal Covid-19 Brasil, “a população foi liberada para ir ao abatedouro“.

Governador João Doria, durante Reunião virtual do Comitê Empresarial Econômico Foto govesp

São Paulo lidera o ranking do país em número de contágios e mortes, com 8.276 óbitos e 123.483 contaminados. Em meio a essa situação, o governador João Doria (PSDB) implementa uma flexibilização da quarentena que, na prática, significa o fim de qualquer medida de isolamento. O governo Doria chegou até a convocar funcionários do grupo de risco do Metrô para o retorno ao trabalho.

Veto a repasse

Nesta quarta-feira, Bolsonaro sancionou lei que veta um repasse de R$ 8,6 bilhões a estados e municípios para o combate à pandemia. A lei extingue um fundo controlado pelo Banco Central com recursos oriundos do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Uma Medida Provisória acabava com esse fundo e destinava esses recursos para o pagamento da dívida, mas o Congresso Nacional aprovou sua reversão para medidas de combate ao coronavírus nas regiões. Bolsonaro, porém, reafirmou a extinção do fundo e sua destinação ao pagamento da dívida.

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