Novamente, em meio à pandemia, Bolsonaro e seu ministro da Educação, Milton Ribeiro, anunciaram um corte na educação pública. Dessa vez, a verba repassada para as universidades federais sofrerão uma redução de 37% comparado ao ano de 2020. Com esse corte, muitas universidades, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de Pernambuco, alegaram que não será possível fazer o pagamento de despesas como luz e auxílio estudantil e que, dessa forma, não será possível manter a universidade funcionando.

O governo mantém sua política de aproveitar a pandemia para “passar a boiada nos direitos” (frase dita pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em maio de 2020 em reunião com Bolsonaro) e a educação pública sempre esteve na mira desses ataques, assim como em outras áreas sociais.

A contradição do governo é gigante. No início deste ano, colocaram a educação como “serviço essencial” durante a pandemia, fazendo com que as escolas públicas e particulares tivessem que voltar obrigatoriamente às aulas presenciais. Não investiram mais nenhum centavo na educação e não buscaram vacinar a população para evitar a propagação do Covid-19, apenas jogando a obrigatoriedade da volta às aulas no colo da comunidade escolar com essa justificativa (isso também foi apoiado pelos governos nos estados). E agora, além de tudo, cortam novamente as verbas da educação. Desta forma, a educação é mesmo serviço essencial para o governo? E se sim, por que estão cortando novamente?

Além do problema dos cortes na educação de agora, a política global do governo de Bolsonaro e seus aliados é de desastre geral para a população, para os jovens e trabalhadores do país. Num momento de gravidade geral da pandemia, com uma possibilidade de nova onda no país, o governo continua sua política negacionista, alegando que a pandemia não é tão grave assim, que as vacinas são um vírus da China, que o lockdown não funciona.

Dessa forma não compra vacinas, o que poderia evitar milhares de mortes. Não faz uma quarentena de verdade para que, combinado com a vacinação em massa da população, a circulação do vírus seja barrada. O auxílio emergencial de agora é um valor muito baixo, com a alta de preços, de alimentos é impossível um trabalhador ou uma família conseguir sobreviver com isso. O colapso na saúde também, enquanto o governo desfila sem máscara pelos estados, a população está morrendo nos hospitais. E no meio de tudo isso, ainda impõe à juventude negra e à população mais pobre um genocídio gigantesco, como infelizmente vimos nesse mês em Jacarezinho, no Rio de Janeiro, com a maior chacina que já ocorreu no estado.

Poderíamos nos perguntar, mas tem dinheiro mesmo? O Brasil e o mundo não estão passando por uma forte crise econômica, fazendo com que tenhamos de fato que cortar para conseguir sobreviver? Nesta questão, as contradições do governo se mostram novamente de maneira absurda. Entre os anos de 2020 e 2021, o governo gastou R$ 3 bilhões comprando deputados no conhecido “Bolsolão”, gastou mais de R$ 1,4 trilhão para pagar banqueiros e megaempresários através da dívida pública em 2020, gastou mais de R$ 340 milhões para distribuir remédios inúteis para o Covid. Ainda de bônus, enquanto a fome no Brasil cresce como nunca, o governo ainda gastou R$ 1,8 mil reais em picanha numa festa clandestina.

E aí a pergunta: essa conta toda quem paga? Os trabalhadores e os jovens que pagam essa conta. Pagam através da carestia da vida, através da falta de dinheiro para saúde, através da falta de vacinas. E a educação está inserida aí também, enquanto o governo e os empresários estão de braços dados cortando nossos direitos, eles estão cada vez mais ricos, alegando que “não tem dinheiro”.

É por isso que precisamos lutar contra mais esse ataque absurdo à educação pública! Esse ataque irá prejudicar o funcionamento das universidades, bem como a vida de milhares de estudantes do Brasil, que ficarão sem acesso à educação, que terão seus auxílios cortados, sem as bolsas de pesquisa e permanência. E isso, com certeza, irá afetar os estudantes mais pobres. Nossa luta, para além da luta em defesa da educação, deve ser também pelo fora Bolsonaro e Mourão. Já foi provado que esse governo de Bolsonaro é inimigo da educação, da vida, dos trabalhadores e jovens. E precisamos derrotá-lo porque, enquanto Bolsonaro estiver no poder, o genocídio continuará, seja através da morte pelo Covid, da fome ou da bala da polícia.  E também a educação continuará sob ataque, a todo o momento ameaçada, assim como a saúde, os empregos, o meio ambiente, entre outros.

29 de Maio: Dia Nacional de Lutas

Dia 29 de maio está sendo convocado como um dia nacional de lutas em defesa da educação. No meio da pandemia, o governo está nos obrigando a sair nas ruas, porque não aguentamos mais essa situação e não aceitamos mais esse corte nas universidades federais. Como diria um cartaz na manifestação na Colômbia: “Quando o povo sai as ruas em meio a pandemia, é por que seu governo é mais perigoso que o vírus”. E isso vale aqui para o Brasil também. É por isso que nós do Rebeldia chamamos a todos para estarem no dia 29.

Vamos nos organizar pelas nossas universidades e escolas, convocar nossos colegas e amigos para participar. É muito importante darmos uma resposta para mais esse ataque.

Achamos que, além desse dia de luta, precisamos organizar uma forte batalha contra todos esses ataques e contra o governo, nossa luta não pode parar apenas nesse dia e muito menos podemos esperar até as eleições de 2022. Até lá a educação continuará na mira do governo e milhares de brasileiros podem ser vítimas do Covid, da fome, da falta de auxílio e da bala da polícia. Por isso, a organização dos estudantes nesse momento é muito importante, é possível nos organizarmos através das assembleias online, através das reuniões de estudantes e lutar para derrubar os cortes da educação e esse governo. É importante fazermos isso ao lado dos trabalhadores, que lutam também por uma greve geral sanitária. Vamos com tudo!