PSTU-São José do Rio Preto

Em meio a uma crise nacional sem precedentes, com aumento da miséria e desemprego, aqui em São José do Rio Preto (SP), vemos, perplexos, um cenário na Assistência Social que passa por desacordo com os preceitos esperados da pasta, falta de democracia e até nuances de perseguição política, escancarando também a serviço de que interesses avança a terceirização nos serviços públicos.

Em 2 de julho de 2021 foi assinada uma ordem de serviço para acomodar o Centro POP: um complexo com albergue noturno, uma cooperativa e um posto de apoio da guarda municipal, no valor de R$ 1,6 milhão e com prazo de 180 dias para concluir.  Porém, o que existe até agora é apenas o prédio do Centro POP, ainda inacabado.

Atendendo às exigências cruéis do capital, que na barbárie aprofunda o desprezo pelas necessidades humanas, a prefeitura avança com uma estratégia higienista para varrer os moradores em situação de rua do centro da cidade, ainda que os preceitos nacionais orientem que os Centros POPs estejam na região central, justamente para receber usuários que acabam de chegar na cidade e precisam procurar os serviços ofertados para evitar que sejam relegados à situação de rua.

Foi avançando nesta varredura que a prefeitura transferiu o Centro POP para uma obra inacabada, sem a estrutura adequada para usuários e trabalhadores, e sem a segurança necessária considerando a incidência do tráfico de drogas no entorno do local “escolhido”.

Diante desta situação, os profissionais que atuavam no equipamento, na tentativa de um diálogo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, elaboraram em conjunto uma carta apontando os problemas de estrutura e segurança, demonstrando preocupação e responsabilidade não apenas com a equipe, mas especialmente com a clientela atendida.

Mas, ao invés de um diálogo que comungasse da mesma responsabilidade, a secretaria reagiu com represálias. Trabalhadores foram chamados para uma reunião onde se sentiram assediados e 3 profissionais terceirizados foram demitidos, numa política autoritária que visa escancaradamente calar qualquer questionamento às irregularidades e reivindicação de justiça social.  Infelizmente, uma secretaria subordinada aos interesses do empresariado e dos favores políticos que dominam a prefeitura e suas terceirizadas.

Vemos, neste contexto, o caráter das reformas administrativas, que pretendem acabar com os servidores de carreira para desviar cada vez mais recursos para os favorecidos da iniciativa privada, seja em empreiteiras de construções ou terceirização dos serviços, que deixam todos os funcionários nas mãos da politicagem que ronda as administrações. E, como agravante, vemos a deturpação do caráter da assistência social, que cada vez mais necessária com o aprofundamento da miséria no país, se sujeita ao interesse higienista dos que lucram com a nossa miséria.

Por isso, a organização da classe trabalhadora é fundamental para garantir desde as liberdades democrática e direitos historicamente conquistados, até a construção de uma outra sociabilidade. Repudiamos a postura da prefeitura que persegue e demite os trabalhadores que não se calam diante das injustiças.

Recontratação já, dos trabalhadores terceirizados demitidos!

Basta de perseguição política!

Lutar não é crime!

Condições seguras de trabalho!

Dignidade para as pessoas em situação de rua!

Em defesa do Centro POP e dos sem-teto!

Participação da população trabalhadora rio-pretense nas decisões da política urbana em São José do Rio Preto!