Em meio à crise do coronavírus, os bancos têm demonstrado mais uma vez a sua irresponsabilidade social com funcionários e clientes. Só o que vale para eles é a manutenção dos lucros, mesmo que às custas de milhares de vidas de trabalhadores.

Em 2019 os cinco maiores bancos lucraram R$ 102,7 bilhões. Então, que os seus lucros sejam requisitados compulsoriamente para o combate aos efeitos da pandemia. Os juros e amortizações da falsa dívida pública com os bancos torrarão R$1,603 trilhão (45% do orçamento) em 2020. É necessário suspender o pagamento dos juros e estatizar o sistema financeiro para garantir que esses recursos sejam utilizados para atender as demandas sociais. E garantir crédito a juros zero para micro e pequenas empresas e para trabalhadores autônomos, garantindo a manutenção de empregos e a sobrevivência dos trabalhadores.

A defesa dos bancos públicos está na ordem do dia. As reestruturações pelas quais Banco do Brasil e Caixa vem passando nos últimos anos descaracterizam sua função pública e social. Ainda que seja o serviço mais requisitado pelos clientes na Caixa, o atendimento social conta com cada vez menos funcionários. Esse momento de crise faz saltar aos olhos o absurdo dessa política de sucateamento. Precisamos mais do que nunca, juntos com a população, lutar por uma Caixa 100% pública.

O sindicato precisa tomar iniciativas que não se limitem a esperar negociações com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), que continua ignorando o Comando Nacional. Há semanas que aguardamos por medidas protetivas e o que estamos vendo são os mesmos abusos de sempre por parte dos bancos. O Banco do Brasil está forçando funcionários que são, ou que coabitam com grupo de risco, a tirar férias. Quarentena não é uma opção, ela é fundamental para preservar vidas, e não pode virar férias obrigatórias.

É preciso garantir estabilidade no emprego e condições seguras de trabalho, para bancários e terceirizados. Mais do que nunca precisamos nos solidarizar com os terceirizados, que além de sofrerem com a ganância dos bancos, são vítimas da exploração das empresas contratadas. É inadmissível o que algumas empresas de vigilância estão fazendo, colocando funcionários de férias sem o pagamento do adiantamento.

O sindicato deve fazer uma forte campanha para a opinião pública denunciando a postura dos bancos, colocando cartazes e carros de som pela cidade. E se a Fenaban continuar ignorando as necessidades dos bancários, é preciso parar e auto-organizar o funcionamento das agências com rodízios e redução de jornada, sem redução de salário, para proteger os trabalhadores e garantir o atendimento básico da população.