(Brasília - DF, 20/03/2020) Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministros de Estado participam de videoconferência com representantes da Iniciativa Privada.Foto: Isac Nóbrega/PR

Editorial do Opinião Socialista 588

Assim como havia feito no dia 15 de março, Bolsonaro e seus filhos impulsionaram uma nova rodada de atos no dia 19 de abril, Dia do Exército, pelo fechamento do Congresso Nacional e por uma ditadura. Em Brasília, Bolsonaro fez questão de ir pessoalmente ao protesto em frente ao quartel general do Exército. Tossindo, fez um discurso abertamente golpista.

Apesar de terem reunido poucas pessoas, essas manifestações são intoleráveis e devem ser repudiadas por todos que defendem as liberdades democráticas e se opõem à política genocida do governo.

Genocida e coveiro da classe trabalhadora

Bolsonaro é hoje o principal responsável pelo agravamento da pandemia no país. É responsável ainda por milhões de desempregados e age de todas as formas para atrapalhar e atrasar a chegada da ajuda irrisória de R$ 600 aos mais pobres.

Ao mesmo tempo em que denuncia de forma hipócrita a “velha política”, tenta comprar o apoio do “centrão” de Rodrigo Maia. É com esse espírito que acaba de entregar o Banco do Nordeste ao PL de Waldemar Costa Neto, condenado por corrupção no mensalão. Quer garantir assim uma base de sustentação para proteger seu mandato e, ao mesmo tempo, destravar pautas como a da carteira verde e amarela, que visa, em plena pandemia, aprofundar a reforma trabalhista e facilitar as demissões e o desemprego.

O Congresso, diga-se de passagem, tem dado 1 trilhão a banqueiros e grandes empresários, enquanto joga a crise nas costas dos trabalhadores.

Fora Bolsonaro e Mourão: uma necessidade urgente

A luta contra o coronavírus e a crise social tem como pressuposto o “Fora, Bolsonaro e Mourão”. Não podemos esperar as pilhas de cadáveres nas ruas e hospitais como na Itália e no Equador. Tampouco podemos ficar inertes, tolerando o intolerável, produzindo meras declarações de repúdio como faz a oposição burguesa democrático-liberal e os partidos de conciliação de classes. Quando assumem a palavra de ordem, é como mera hashtag para não se descolarem completamente dos milhões que gritam “Fora, Bolsonaro”.

Não é verdade que a luta pela derrubada de Bolsonaro e Mourão atrapalha o combate à pandemia ou fortalece o bolsonarismo. Pelo contrário. Não enfrentar Bolsonaro para valer é deixá-lo livre para avançar sua política genocida de caos sanitário e social, bem como de ameaça às liberdades democráticas e defesa de autogolpe. Ele busca disputar um setor da sociedade para o seu projeto de ditadura. Botá-lo para fora é necessário para lutar contra um genocídio e também para impedir um autogolpe mais adiante.

É preciso garantir o suporte necessário à saúde pública, que os trabalhadores e o povo da periferia possam exercer o direito à vida, garantindo emprego, renda e todas as condições para que possam ficar em casa. Condições contra as quais Bolsonaro faz campanha dia sim e outro também. Condições que os governadores e o Congresso também não garantem na medida necessária e já começam a flexibilizar a quarentena, justamente quando o vírus chega em cheio nos setores pobres e vulneráveis.

Mobilização de massas unificada

É preciso que os partidos de oposição e as organizações da classe trabalhadora coloquem em marcha uma ampla campanha de massas pelo “Fora, Bolsonaro e Mourão” para valer, não só nas redes sociais. O PT, que há uma semana votou na sua Executiva contra o “Fora, Bolsonaro”, segundo noticiou o jornal O Estado de S. Paulo, estaria mudando de posição. Esperamos que mude para valer. É hora de uma campanha de verdade, mesmo com as limitações que a pandemia impõe.

É preciso um dia unificado de protesto. Se não é possível realizar manifestações de rua, façamos nas janelas de todo o país. É preciso mobilizar os trabalhadores dos setores não essenciais que estão sendo obrigados por patrões e governos a trabalhar. Vamos colocar carros de som nos bairros e nas ocupações, que já estão organizando-se para garantir solidariedade de classe. Um movimento à altura em defesa da vida, do emprego, da renda, do salário e das liberdades democráticas, pelo “Fora já, Bolsonaro e Mourão!”

O 1º de Maio seria um bom dia para dar um pontapé numa campanha unificada e de massas pela derrubada desse governo. Essa é uma campanha de unidade de ação e de frente única para lutar. Para ser de massas, precisa ter esse caráter para que participem dela todos que tiverem acordo.

Alternativa socialista

Na campanha pelo “Fora, Bolsonaro e Mourão”, que deve unir todo mundo que tope lutar, participarão diferentes organizações com diferentes projetos políticos para o país. Nós seguiremos defendendo que a solução para os nossos problemas exige a construção de uma alternativa socialista.

Em defesa da vida, do emprego, da renda e da saúde, além de colocar para fora esse governo, precisamos fazer avançar a organização e a mobilização da classe trabalhadora para acabar com o sistema capitalista. Precisamos de uma revolução socialista que coloque os operários e o povo pobre no poder.