Ato pelos 65 anos da morte de Trotsky reúne 700 em São Paulo

Martín Hernández. No telão, a imagem de Trotsky
Lucas Lacaz / Cromafoto

Na noite do dia 10 de novembro, o teatro Tuca, na PUC de São Paulo, foi palco de um ato histórico. Convocados pelo PSTU, mais de 700 pessoas se reuniram para lembrar os 65 anos da morte de Leon Trotsky. O teatro foi escolhido pelo seu significado – durante a ditadura, foi local de reuniões, atos e peças da esquerda e, até hoje, preserva nas paredes a marca de um incêndio criminoso.

O evento começou às 18h, com a exibição de um documentário sobre a vida do revolucionário russo. Após o documentário, muitas delegações ainda chegavam, de cidades vizinhas e das diversas regiões da cidade. Depois do filme, foi lido o testamento político de Trotsky e iniciou-se a palestra com Martín Hernándes, editor da revista Marxismo Vivo, sobre a restauração do capitalismo no Leste Europeu.

Na palestra, que contou com tradução simultânea, Martín apresentou o debate que ocorre hoje na LIT. Para ele, o capitalismo foi restaurado antes dos acontecimentos da queda do muro, e sua volta foi feita pelas mãos da burocracia, em nome do socialismo. A ação das massas, portanto, dá-se contra as conseqüências da própria restauração e contra o regime dos burocratas. Ao contrário dos que enxergam apenas derrotas, Martín explica que houve uma grande vitória, que foi o fim do maior aparato contra-revolucionário da História, o stalinismo.

Após, abriu-se para perguntas e as saudações das diversas organizações trotskistas presentes. Além do PSTU e da LIT-QI, estavam presentes a Liga Estratégia Revolucionária (LER), a Liga Bolchevique Internacionalista (LBI) e o Partido Operário Marxista (POM). Todas, demarcando as diferenças políticas que possuem com o PSTU, saudaram a iniciativa e a importância da realização do ato sobre Trotsky.

Alejandro Iturbe falou em nome da Liga Internacional dos Trabalhadores e reafirmou o caráter da homenagem que era realizada: “Não fazemos homenagens como quem vai a Igreja. A melhor maneira de lembrar Trotsky, e a única que ele poderia concordar, é a que estamos fazendo, discutindo sua obra em base à realidade”.

Eduardo Almeida, editor do jornal Opinião Socialista, falou pelo PSTU e saudou algumas delegações em especial, como a dos metalúrgicos da Volkswagen e a dos estudantes da PUC. Ele terminou com um convite para que todos viessem erguer uma bandeira sem manchas, a do PSTU. Ao final, todos cantaram o hino da Internacional Socialista, que também foi interpretado por artistas, militantes da Regional São Paulo.

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    Leia o artigo `O veredicto da História`, de Martín Hernandez, sobre a restauração do capitalismo