Ato no Rio de Janeiro exigirá retirada das tropas do Haiti

O Comitê pela Retirada das Tropas Brasileiras do Haiti fará nesta quarta-feira, dia 21 de dezembro, um ato público no Rio de Janeiro. O protesto pelo fim da ocupação no país começará às 18h, no Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (SINTRASEF/RJ), na Av. Treze de Maio 13/10 andar- Cinelândia.

Leia abaixo o manifesto de convocação do ato.


O PAPEL SUBMISSO DO GOVERNO BRASILEIRO
Para assegurar os seus interesses o governo norte-americano fez uma nova intervenção militar no Haiti, substituindo o presidente eleito pelo atual governo provisório. Desde o início, o novo governo se mostrou obediente às orientações do Banco Mundial, adotando uma política econômica comprometida com o aprofundamento do neoliberalismo, oferecendo vantagens desmesuradas às corporações internacionais e explorando a classe trabalhadora haitiana.

A presença de tropas internacionais da ONU no Haiti reflete a incapacidade do império norte-americano de sustentar sozinho o governo de “transição“ naquele país, por estar ocupado com a agressão militar aos países do Oriente Médio e da Ásia. Os fuzileiros norte-americanos foram, desta forma, substituídos pelos militares de outros países, sob a direção do exército brasileiro. Um papel infeliz do nosso exército: o de assegurar a segurança dos ricos e dos “técnicos“ do Banco Mundial, contrariando os interesses da população haitiana. As tropas brasileiras estão interferindo no país, exercendo o papel de polícia de um governo subordinado a Washington. O Brasil viola assim a regras de respeito à autodeterminação dos povos.

É muita subserviência do governo Lula. O povo brasileiro escolheu um presidente oriundo da classe trabalhadora e não esperava que Lula governasse contra ela, renegando seu passado e sua biografia e ainda praticando uma política imperialista em outros países latino-americanos.

Fato agravante da presença das tropas brasileiras no Haiti foi recém divulgado em relatório do Centro de Justiça Global e pela Universidade de Harvard, acusando os militares do Brasil de violarem os direitos humanos em território haitiano. Ao contrário do que diz o governo Lula e algumas entidades de sua base de apoio, a presença das tropas brasileiras no Haiti não tem como finalidade garantir a paz, na medida em que já ocorreram dois massacres em Porto Príncipe que fizeram dezenas de vítimas, principalmente mulheres e crianças.

Precisamos mostrar nossa solidariedade ao povo haitiano, exigindo do governo brasileiro a volta imediata das tropas brasileiras. Por isso convocamos trabalhadores e trabalhadoras, militantes sindicais e estudantes a se manifestarem contra a subordinação de nosso governo aos interesses imperialistas.

  • Pela retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti.
  • Pelo fim da intervenção estrangeira e imperialista no Haiti.
  • Contra a subserviência do governo Lula às ordens de Bush.
  • Pela revogação da prisão política de Olivério Medina.

    UM POVO QUE NASCE LIVRE – LIBERDADE AO HAITI
    A ilha de Quisquéia, como a chamavam seus povoadores originais, se divide atualmente em duas repúblicas, o Haiti e a República Dominicana. Espanhóis franceses e ingleses, atraídos pelo açúcar, começaram a disputar a ilha. Em 1697, a Espanha cedeu à França a parte ocidental, o Haiti. A região transformou-se na mais importante possessão francesa nas Américas. Em 1791 a capital da colônia francesa, Porto Príncipe, sofreu um forte abalo que se abateu sobre o mundo naquela época. Foi a mais vitoriosa rebelião escrava ocorrida nas colônias americanas, no momento em que corria pelo mundo o clamor por liberdade que acuava as velhas classes tiranas. Marcou também o início de uma guerra continuada de 12 anos de duração, que rechaçou o domínio francês e as tentativas de invasão de espanhóis e ingleses. Foi um levante de cor, força e indignação a uma longa dominação preconceituosa, elitista e exploratória, culminando com a proclamação da primeira república negra vitoriosa do mundo.

    As classes dominantes imperialistas mostraram nunca ter engolido a amarga derrota, não economizando esforços para inviabilizar a prosperidade do povo haitiano. A independência proclamada em janeiro de 1804 e só reconhecida pela França mediante pagamento de indenização, inaugurou assim 200 anos de uma história de dificuldades, marcada pela resistência e esperança do povo haitiano, que não esmoreceu em sua luta implacável contra a opressão.

    O IMPERIALISMO DOS EUA
    No século XX foram mais de 30 anos de ditadura militar hereditária (sob o comando de “Papá Doc“ e “Baby Doc“) iniciada em 1957, com toda brutalidade, tortura e perseguição às lideranças populares, características dos regimes latino-americanos da época. A luta de classes no Haiti recrudesceu durante os anos 80 com o aparecimento do Movimento Avalanche (Lavalas, na língua nativa), sendo uma de suas principais lideranças Jean-Bertrand Aristide, partidário da Teologia da Libertação, excluído a seguir da Igreja Católica por seu envolvimento com as lutas populares. Sua esmagadora vitória eleitoral o conduziu ao governo em fevereiro de 1991. Seu programa de governo baseava-se num minucioso plano de alfabetização. Em setembro ocorreu um sangrento golpe militar, protagonizado pelo general Raoul Cedras. Os setores progressistas permaneceram na resistência.

    Em julho de 1993 Aristide e Cedras assinaram um acordo que garantia o retorno do presidente eleito e uma anistia para os chefes golpistas, contudo uma nova escalada de violência se iniciou no Haiti, destinada a impedir os acordos. Em outubro, um navio de guerra norte-americano postou-se na costa da capital. Uma multidão de haitianos ameaçou enfrentar as tropas embarcadas, e Clinton ordenou o regresso do navio à base de Guantánamo, em Cuba. A violência era cada vez maior, estima-se que 400 partidários de Aristide, entre maio de 1993 e fevereiro de 1994, foram assassinados. Em 15 de outubro, o país é ocupado por uma força multinacional dirigida pelos Estados Unidos, Aristide retornou ao Haiti, mas a margem de manobra do governo era muito pequena.

    A oposição boicotou as eleições presidenciais de fevereiro de 2001. Não obstante, o boicote as eleições foram levadas a cabo, dando uma vitória estrondosa para Aristide, que assumiu assim, pela terceira vez, a Presidência. Novo golpe, idealizado pelos Estados Unidos e a França, mais uma vez, derruba o governo eleito Jean Bertrand Aristide, o qual foi seqüestrado e retirado do país pelas tropas norte-americanas.

    O processo eleitoral atual, patrocinado pelo império norte-americano, tem criado problemas com o objetivo de excluir milhares de trabalhadores que moram nas áreas mais pobres da capital do Haiti e grande parte dos trabalhadores rurais, eleitores do partido de Aristide. Dois possíveis candidatos do Movimento Lavalas estão em cárceres haitianos como prisioneiros políticos. Desde o golpe contra Aristide, parte da direção de Lavalas encontra-se presa, foram executados muitos de seus seguidores e as manifestações políticas estão proibidas.


    COMITÊ PELA RETIRADA DAS TROPAS BRASILEIRAS DO HAITI

    PCB – PSOL – PSTU – PDT – PCR – PCML – CONLUTAS – CONLUTE – REFUNDAÇÃO COMUNISTA – LUTARMADA (HIP HOP) – CENEG – COMITÊ DA PALESTINA – CAMPANHA ESTADUAL CONTRA A ALCA – FES – SINTRASEF – SINDSPREV – SEPE – SINDJUSTIÇA – ASSOCIAÇÃO JOSÉ MARTI