Ato em São Miguel diz não à guerra

As primeiras previsões do governo norte-americano de que a guerra no Iraque seria rápida caíram por terra. Ao contrário do que defendiam, hoje o presidente dos Estados Unidos George W. Bush e seu principal aliado o primeiro-ministro britânico Tony Blair são unânimes em dizer que a guerra irá durar o tempo necessário para garantir a vitória dos aliados. O fato é que cresce a resistência aos desmandos do império dentro e fora do país. Na medida em que a guerra não cessa, as mobilizações se tornam mais organizadas e vão-se disseminando mundo afora.

Dando continuidade as propostas aprovadas no Comitê Estadual Contra a Guerra, o PSTU de São Miguel e outras entidades da região, entre elas o Sindicato dos Professores (APEOESP) de São Miguel/Itaim Pta, a Associação de Mulheres da Zona Leste (AMZOL), o Movimento dos Trabalhadores de Saúde de São Miguel e o Partido dos Trabalhadores (PT), organizaram no dia 28 de março um ato contra a Guerra no Iraque e a Alca, na Praça Padre Aleixo Mafra (Praça do Forró), que reuniu cerca de 500 pessoas no centro de São Miguel.

O trabalho em equipe sensibilizou a comunidade de cinco escolas estaduais e uma municipal além dos moradores do bairro, conseguindo grande participação de alunos, que mostraram sua indignação contra a intervenção militar norte-americana no Iraque. Para Mª Terezinha Rodrigues Soares, diretora da APEOESP pela Oposição Alternativa (OS), o protesto serviu como um importante exercício de cidadania para os jovens. “A guerra em si já é ruim, mas a que ocorre no Iraque é ainda pior, pois trata-se de uma batalha puramente econômica. Envolver o adolescente nesse tipo de movimento é dar inicio a sua formação política.”

Carlos Silva Montes, da juventude do PSTU de São Miguel, conta que visitou dezenas de instituições de ensino da região convidando jovens de 15 a 20 anos e ficou muito satisfeito com o número de adesões. “Uma grande quantidade de alunos abraçou a causa. Isso prova que temos uma juventude consciente”, diz. Durante o protesto, a bandeira norte-americana foi queimada e bandas de música da região abusaram de letras com críticas a cultura do Tio Sam, condenando marcas famosas como o Mc Donald’s.

Para a estudante Michele Grace, 17 anos, os ataques dos Estados Unidos no Iraque são a demonstração de pura ganância e acredita que é muito importante as manifestações contra a guerra que estão acontecendo pelo mundo.

Guerra e Alca
Segundo Carlos, esse foi o primeiro de muitos outros movimentos que serão organizados no bairro. “Pretendemos nos articular para mais protestos. Só vamos parar quando a guerra chegar ao fim”, afirma.

Além de exigir a retirada das tropas aliadas do território iraquiano, o evento serviu para criticar a possível aprovação da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), que, segundo os manifestantes, é também uma forma indireta de imposição norte-americana. “No Iraque, os Estados Unidos se impõem utilizando armas. Se permitirmos, aqui eles vão dominar por meio da fome e do desemprego”, diz Carlos.