As últimas mobilizações manifestam apoio a uma nova Intifada em Jerusalém

  • Fonte: www.litci.org

    Passeatas ocorreram em Beirute, Amã, Damasco e Istambul para protestar contra o bloqueio por Israel da mesquita de Al-Aqsa, um dos locais mais sagrados do islamismo. Em Beirute, a capital libanesa, destacavam-se na mobilização as bandeiras dos dois partidos xiitas, Hizbullah e Amal, do Partido Nacional-Socialista Sírio, da Frente Democrática pela Libertação da Palestina e da Frente Popular pela Libertação da Palestina. Tendo reunido aproximadamente 5 mil pessoas em frente ao prédio da ONU, a passeata exigia respeito ao status sagrado de Jerusalém para os muçulmanos, bem como repúdio às últimas ofensivas israelenses sobre territórios palestinos.
    Os partidos palestinos e as lideranças religiosas receiam que o Estado sionista esteja planejando destruir a mesquita para dar lugar a uma hipotética reconstrução do templo do Monte, especialmente depois da abertura da sinagoga Hurva (“ruínas”) do século XVIII, reconstruída em Jerusalém Oriental a poucos metros da mesquita, e tida como mais uma etapa de uma onda de provocações.

    A abertura da sinagoga foi o motivo alegado por Israel para fechar por quase uma semana o acesso dos muçulmanos, incluindo os que portam identidade israelense, à mesquita de Al-Aqsa. O fechamento veio na sequência do mal-estar diplomático criado por Israel durante a visita do vice-presidente norte-americano Joe Biden, quando o Ministro do Interior anunciou a liberação da construção de 1600 casas para assentamento israelense em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel desde a guerra de 1967.
    Após o episódio, diversas confirmações oficiais de que a expansão dos assentamentos israelenses não cessarão acabaram por desacreditar a promessa norte-americana de negociações indiretas de paz, e até algumas lideranças do Fatah, o partido que passou a dominar a Autoridade Nacional Palestina na Cisjordânia após um autogolpe em 2007, chamaram publicamente uma revolta generalizada em Jerusalém. Tayyed Nasrallah, outra liderança do Fatah, porém, veio a público condenar qualquer nova intifada (insurreição), que “só traz tragédia ao povo palestino”.

    Ao contrário das capitais árabes que viram protestos inflamados após a reza do começo da tarde, o dia foi de calma forçada nos territórios ocupados da Cisjordânia, onde as manifestações foram proibidas extra-oficialmente pela ANP. As brigadas de Al-Aqsa, o braço militar do Fatah que vem fazendo críticas públicas à ANP após o fracasso da visita de Joe Biden, lançou um comunicado exigindo a libertação dos presos políticos pela ANP, bem como a devolução do arsenal confiscado por ela.

    Em Gaza, as brigadas realizaram uma tentativa frustrada de lançamento de um foguete direcionado a Israel. Outra milícia, Ansar el-Sunna, logrou atingir um vilarejo israelense na quinta-feira, matando uma pessoa. Israel respondeu na manhã de sexta-feira com ataques aéreos a 6 locais em Gaza, que segundo as autoridades militares israelenses tratavam-se de cinco túneis e uma fábrica de armamentos. Os ataques feriram dois palestinos.

    Na madrugada do mesmo dia, Israel realizou dois sobrevoos no Líbano, chegando a Beirute. Uma série de violações da soberania libanesa vem ocorrendo, o que tem levado diversos setores da sociedade libanesa, incluindo as principais figuras políticas do governo, a especular sobre a possibilidade de uma nova invasão israelense ao país no próximo verão. O principal líder do Hizbullah, Sayyed Hassan Nasrallah, declarou recentemente a capacidade estendida de retaliação desse partido, o maior grupo da Resistência: “se bombardearem nosso aeroporto, bombardearemos o de Tel-Aviv”. Segundo muitos analistas, o discurso tem um intuito dissuasório, mas não levará a uma mudança na atitude do partido, notadamente defensiva após a inclusão do partido no governo de unidade nacional liderado pelo magnata da construção civil Saad Hariri.