As portas que se abrem em Chicago

Atos ocorrem todos os dias e recebem a solidariedade de diversos setores
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Após cinco dias, operários continuam ocupando fábrica norte-americana em defesa de seus direitosNo dia 2 de dezembro, os patrões da Republic Windows and Doors, fábrica de portas e janelas de Chicago, avisaram seu funcionários que a empresa fecharia em três dias. As férias e as indenizações não seriam pagas. Na sexta-feira, 5, dia em que a fábrica deveria encerrar suas atividades, ao acabar o turno de trabalho, os operários resolveram permanecer na empresa.

“Decidimos fazer isto porque o dinheiro é nosso”, disse Maria Roman, funcionária da fábrica há oito anos, ao jornal Socialist Worker. “Estes são os nossos direitos”, completou.

Os trabalhadores suspeitam, ainda, que os patrões querem fechar a planta de Chicago e reabrir a fábrica em outro local. Eles dizem que já faltam materiais, não correspondendo aos registros de estoques. Alguns denunciaram que os gerentes retiraram equipamentos de escritório e máquinas da fábrica.

De acordo com a agência Associated Press, o Bank of America concordou na tarde de terça-feira, 9, em reunião de negociação com os patrões e o sindicato, em emprestar à RWD o dinheiro necessário para pagar os direitos dos trabalhadores. Porém o United Electrical, Radio and Machine Workers of America (UE), sindicato que representa a categoria, diz que nada de concreto foi proposto. As negociações continuam nesta quarta-feira e qualquer proposta deverá ser antes votada pelos operários.

A RWD alega que não tem condições de seguir funcionando, pois o Bank of America cancelou o crédito que até então oferecia para a empresa.

Do primeiro pacote aprovado pelo governo norte-americano para as financeiras e bancos, de US$ 700 bilhões, o Bank of America recebeu US$ 25 bilhões. A instituição utilizou este dinheiro para abonar seus executivos, comprar outros bancos e pagar dividendos.

“Achei que seríamos todos presos”
Nestes dias em que já dura a ocupação, os trabalhadores fizeram manifestações que contam com a solidariedade vinda de diversas categorias. Pelo site do UE, chegam centenas de mensagens. Vídeos são postados no YouTube. No sábado, um ato atraiu outros sindicatos e organizações de imigrantes. Esses representam cerca de 80% da mão-de-obra da RWD.

“Hoje, nós estamos unidos, nós somos a América”, disse Armando Robles, presidente regional do EU. O sindicalista é latino, como a maioria de seus companheiros.

“Isto é uma mensagem para a América”, diz o trabalhador Vicente Rangel. “Se nos mantivermos unidos, vamos conseguir que seja feita justiça e vamos receber o que nos devem”.

A tática de ocupação praticamente não era usada desde a década de 1930 nos EUA, período da Grande Depressão. A ação dos operários de Chicago foi parar nas páginas dos grandes jornais e nas telas das grandes emissoras de TV. Alguns jornalistas chegam a classificar a ocupação como um símbolo de luta contra a crise. Uma surpresa para muitos dos trabalhadores, que, como um admitiu, imaginavam que “seríamos todos presos”.

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