Foto: Edson Lopes Jr/A2

Com a força da mobilização, os ferroviários da CPTM, em São Paulo, conseguiram arrancar uma proposta de reposição salarial melhor do que a oferecida inicialmente pela empresa. Após uma forte greve durante o dia, uma nova negociação ocorreu na noite da terça-feira (24). Com o acordo entre as partes, a greve foi encerrada pela categoria.

As demissões de 10 trabalhadores anunciadas pelo Secretário de Transportes, Alexandre Baldy, em represália aos grevistas, também não serão oficializadas. O fato mostra a importância da mobilização na defesa dos direitos e da solidariedade ativa aos companheiros em luta.

A proposta aprovada prevê o reajuste de 4%, em agosto, referente a data base de 2020 e de 6% referente a 2021, em janeiro de 2022. Além disso, os retroativos e demais cláusulas econômicas serão pagos em cinco parcelas (outubro, novembro, dezembro, fevereiro e março).

Desde o início das negociações, a direção da CPMT manteve-se intransigente. Até o mês de agosto, a empresa não ofereceu qualquer índice de reajuste salarial. Isso ocorreu mesmo com a categoria ficar sem a reposição salarial nos últimos dois anos, o que gerou uma enorme perda no poder de comprar.

O plano inicial da empresa também era pagar o retroativo em 10 vezes. Um completo absurdo. No entanto, com a greve foi possível evoluir a proposta e mandar um recado ao governo de João Doria: os trabalhadores não vão aceitar propostas rebaixadas que precarizam ainda mais a vida.

Melhores condições de trabalho

Durante a greve, os trabalhadores da CPTM também puderam denunciar condições de trabalho precárias e a falta de efetivo. A situação ainda ficou pior durante a pandemia, com a categoria expondo-se ao vírus da covid-19.

Embora seja considerada essencial, a categoria não tem recebido o devido respeito do governo e da direção da empresa. Desde o início da pandemia, os ferroviários já somam mais de 80 profissionais mortos pela doença.

Parabéns aos companheiros ferroviários pela paralisação. Agora, vamos nos juntar na luta contra privatização do sistema de transporte”, afirma Altino Prazeres integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas e coordenador do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.