Ao lado do povo iraquiano! Contra o imperialismo!

Segunda-feira, 24 de março de 2003

A mais poderosa máquina de guerra do Imperialismo, os Estados Unidos da América, inicia mais um genocídio contra o povo Iraquiano em uma guerra de ocupação e destruição de um país que resiste em transformar-se em uma colônia. O imperialismo declara uma guerra aos povos do mundo para impor sua ordem neocolonial, recebendo em resposta uma das maiores mobilizações anti-imperialistas da história.
A soberba imperialista não conhece limites. Antes de que a guerra acabe, a administração Bush loteia o Iraque, distribuindo o espólio de guerra entre as empresas da camarilha governista. Ao mesmo tempo que espalha terror, morte e destruição, afirma que o exército de ocupação seria recebido com “alegria”. Enquanto isso, o mundo assiste e participa da luta de um povo que resiste em ser transformado em uma colônia.

O capital se apressa ao resultado da guerra. Assim, as bolsas de valores de todo o mundo sobem e baixam de acordo com o número de vítimas causada pelas milhares de toneladas de bombas que são jogadas sobre Bagdá. O capitalismo revela sua essência, se alimenta da vida de milhares de homens, mulheres e crianças que perecem debaixo das bombas americanas ou da fome e miséria causada pela espoliação imperialista em tempos de “paz”.

Esta guerra colonial é a expressão da sede insaciável do sistema capitalista e do parasitismo imperialista que, em sua decadência, salta da pilhagem econômica à pirataria, através da guerra. Esta é uma guerra contra os povos do planeta, está sendo travada em solo Iraquiano, mas se estende pelas ruas das cidades de todo mundo. E o seu resultado não está escrito de antemão.

Milhões nas ruas contra o imperialismo

Saudamos os milhões de manifestantes que ocupam as ruas dos EUA e toda Europa. Ao ferir o coração do inimigo em sua própria retaguarda se transformam em uma das armas mais importantes desta guerra. São a expressão viva da grande mentira desencadeada pela imprensa imperialista, de que estes governos estão agindo em nome do seus povos. Ficando assim claro para o mundo que estes agem em função dos interesses de rapina de suas empresas.

A luta das massas nos países imperialistas contra a guerra é também uma luta contra seus próprios governos. Os milhões que ganham as ruas na Europa demostram que o principal inimigo está em casa. A espetacular corrente de solidariedade internacionalista expressa nas ruas deve seguir e aprofundar o seu curso para por abaixo seus próprios governos que, junto com a destruição do Iraque, querem também avançar na destruição das conquistas sociais.

Como um rastilho de pólvora
Mobilizações se estendem aos povos submetidos a dominação imperialista

As grandes mobilizações protagonizadas nos países do Oriente Médio e a repressão desencadeada por estas ditaduras fantoches do imperialismo, podem e devem transformar-se numa luta de todas as massas árabes contra seus próprios governos. Estes governos estão pressionados entre grandes ações de massas e sua fidelidade ao amo imperialista, reprimem e tentam impedir o crescimento das mobilizações pois a luta contra a guerra colonial no Iraque é também uma luta contra cada uma das ditaduras pró-imperialistas da região.

Entre os povos dominados da América Latina, também crescem as mobilizações e o ódio ao inimigo imperialista. Os povos latino-americanos se irmanam como povos dominados ao povo iraquiano. A guerra colonial travada no Iraque tem sua expressão neste continente no projeto reservado pelo imperialismo a estes povos, a Alca. Fortalecer a luta contra a guerra no Iraque é também o fortalecimento da luta contra sua própria colonização que deve ser tomada em forma consciente pelas organizações operárias.

Os EUA perderam a batalha pela consciência

Nem toda máquina da propaganda imperialista foi capaz de ganhar a consciência das massas para este genocídio e esta já é uma das maiores conquistas desta luta. A clareza do caráter colonial desta guerra impõe que nossa luta não se detenha com o resultado militar da agressão contra o Iraque. O projeto imperialista tem como base a transformação deste país num protetorado americano, e a guerra atual está a serviço desta política.

O acordo entre os imperialismos dentro da ONU era submeter o Iraque pela Fome. A ONU cumpriu seu trabalho desarmando o Iraque, destruindo sua infra-estrutura industrial, submetendo a um bloqueio que levou a morte de mais de um milhão pessoas. A resistência do regime de Bagdá e os distintos interesses imperialistas na recolonização é a explicação última da divisão interimperialista, exacerbada pela ação das massas.

O imperialismo francês, deixando claro um curto fôlego “pacifista”, busca garantir seus interesses lutando por um “protetorado multilateral”. E este não é o objetivo pelo qual milhões saem as ruas na Europa. A luta contra a guerra deve ser cada vez mais a luta contra o projeto colonialista para o qual o Iraque se constitui na primeira vítima desta empresa de terror.

A Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI) conclama que nossa luta contra a guerra colonial se estende à luta contra a ocupação e a recolonização do Iraque, seja sob a bandeira da águia imperialista norte-americana ou sob a bandeira do covil de bandidos das “Nações Unidas”.

Devemos e podemos transformar este levante mundial anti-imperialista numa luta consciente contra a guerra e a recolonização no Oriente Médio e em todos os continentes. A guerra contra Iraque é a continuação pelas armas dos planos aplicados em cada um dos países dominados pelo imperialismo, planos esses que causam tanto vítimas diárias quanto o horror que assistimos de forma concentrada nesta guerra.
O crescimento da consciência anti-imperialista em todo o mundo coloca a possibilidade de construir uma profunda derrota dos objetivos políticos do imperialismo e de sua empresa no Iraque. A heróica resistência do povo iraquiano, mostra ao mundo que esta luta não termina com a ocupação militar do Iraque.
A única garantia de vitória estará no avanço da consciência internacionalista e na continuidade das mobilizações que podem e devem assumir distintas formas. Desde as grandes mobilizações de ruas, boicote aos produtos das empresas imperialistas até as greves gerais nos países em que a polarização social contra os governos criaram as condições para esta tarefa.

Somente haverá Paz com a derrota do imperialismo

Não pode haver paz se o Iraque for transformado em uma colônia dos EUA. A paz pela qual lutamos é uma paz com um Iraque soberano, onde o povo iraquiano decida seu próprio destino. Por isso devemos lutar, com todos os meios que estiverem ao nosso alcance, pela derrota dos EUA nesta guerra colonial.

A ditadura de Saddam, ainda que seja a pior direção para lutar contra o imperialismo, representa um país agredido por uma das mais poderosas máquinas militares da história. Uma vitoria do exército de ocupação imporá uma ditadura ainda mais sangrenta que a de Saddam. Os Curdos e as minorias religiosas serão oprimidos por um poder ainda mais forte e cruel. Consideramos como nossa cada vitória do povo iraquiano no campo de batalha; cada tanque destruído, cada emboscada contra o exército invasor.

Nossa grande tarefa é seguir enfraquecendo a máquina de guerra do imperialismo. Parte desta tarefa é a luta pela derrubada dos governos que apoiam Bush nesta empresa genocida. Fora Blair, Aznar e Berlusconni!

É preciso desmascarar também a imensa maioria dos governos que se dizem contra a guerra e não movem um dedo contra os EUA. Devemos exigir de cada um deles a ruptura diplomática e comercial com o EUA. Basta de hipocrisia! A hora de declarações já foi ultrapassada pela ação do exército americano. Rompam relações com o governo genocida de Bush já!

Os países exportadores de petróleo, em particular os países árabes, tem a arma mais importante desta guerra. Basta suspender o fornecimento de Petróleo aos EUA, e acabar com o combustível que move esta máquina de guerra. Nenhuma gota de petróleo aos invasores imperialistas!

As massas e não o imperialismo devem mudar o mapa político do Oriente Médio na luta contra as covardes monarquias que se ajoelham ante o imperialismo e são cúmplices da guerra de recolonização. Devem exigir de seus governos apoio à resistência do povo iraquiano. Armas e homens para a resistência!

Os países dominados pelo imperialismo não podem seguir pagando a dívida externa que financia os mísseis que massacram o povo do Iraque. Exijamos dos governos dos países dominados que não financiem este massacre. Suspensão do pagamento da dívida externa e das relações diplomáticas e comerciais com os EUA!

Transformemos nosso ódio e indignação numa luta consciente contra este regime de terror e barbárie.

Com o povo iraquiano contra a ocupação imperialista!
Fora as tropas imperialistas do Iraque!

Segunda-feira, 24 de março de 2003.

Liga Internacional dos Trabalhadores