Temor do coronavírus, bolsa cai e dólar a caminho de 5 reais - foto Jorge Araújo /Fotos Publicas

José Eduardo Braunschweiger

A alta vertiginosa do dólar e a queda das Bolsas dominaram os noticiários dos últimos dias e, parafraseando Paulo Guedes, Ministro da Economia, a desvalorização do Real não vai parar e quem perde com isso são os trabalhadores e o povo pobre.

Diferentemente do que afirmou Guedes, não é natural a subida do dólar porque o câmbio é flutuante. Em verdade, esse movimento de desvalorização do Real e fortalecimento do dólar, que pode ter graves consequências para economia nacional, se iniciou em meados de novembro do ano passado a partir das incertezas com a economia brasileira em razão da desaceleração do crescimento econômico da China, da dependência das exportações de commodities e da instabilidade do cenário político nacional.

De lá para cá, o governo Bolsonaro nada fez e, para beneficiar o Agronegócio, combalido com a queda dos preços das commodities em razão da crise da China, deixou correr frouxo a alta do dólar.  Desde então, o mercado, que já não tem mais o atrativo das altas taxas de juros, está deitando e rolando sobre a moeda brasileira, houve um enorme aumento das remessas para o exterior. Em dois meses e quatro dias de 2020, estrangeiros tiraram R$ 44,8 bilhões da Bovespa, maior valor da história, e o dólar bateu novo recorde e fechou hoje – 9 de março – a R$ 4,73 mesmo após intervenção do Banco Central.  Guedes já admitiu que vai chegar a R$ 5,00 o dólar. O Real já caiu 15,5% este ano e é a moeda mais desvalorizada do mundo em 2020.

Ao contrário do que o governo afirmava, passada a aprovação da reforma da Previdência e mesmo com as medidas de incentivo à economia como a liberação do FGTS, os indicadores econômicos da indústria, do comércio e dos serviços de dezembro de 2019 decepcionaram e apontaram uma clara piora da economia que veio a se confirmar com a divulgação do PIB de 2019 de 1,1%, abaixo dos 3% e 3,5% esperados pelo governo, e isso sem haver ainda epidemia do Coronavírus e a queda do preço do petróleo que agora abalam os mercados em todo o mundo e que podem levar a uma nova crise mundial.

A comemoração da alta do dólar feita por Guedes quando disse que as empregadas domésticas não podem viajar para Disney não foi só racismo e discriminação, foi também mais uma cena do entreguismo descarado de um governo cuja política econômica se resume a tirar dos pobres para dar aos ricos e entregar as riquezas nacionais ao imperialismo.

A alta do dólar pode causar mais perdas para os trabalhadores a começar pela elevação dos preços dos alimentos, como por exemplo dos derivados do trigo que dependemos de importação, e da inflação que podem aprofundar mais ainda o drama social por que passa o país.

Isso é agravado neste momento de epidemia mundial do COVID-19 cujas consequências são imprevisíveis no mundo e no Brasil e que pode arrastar a economia mundial e nacional para uma nova recessão. Não é a toa que, em meio a isso, Bolsonaro que afirmava que o Posto Ipiranga ficaria até o fim do governo, deu um prazo até junho para Guedes.

Neste cenário, a desaceleração do crescimento da economia chinesa e queda no preço das commodities precipitou outra crise protagonizada pela Arábia Saudita e Rússia em torno à disputa do preço do petróleo que provocou a queda do preço do barril, a derrubada das bolsas em todo o mundo e pegou a Bovespa em cheio. O Ibovespa desabou a 12,17%, a maior baixa diária desde 1998, pior resultado do mercado em todo o mundo. O risco-país atingiu 186 pontos, a maior alta desde 2008, demonstrando a desconfiança do mercado. As principais empresas da bolsa brasileira perderam R$ 375 bilhões em valor de mercado só nesta segunda-feira sendo a Petrobrás a maior prejudicada que perdeu R$ 91 bilhões.

Enganam-se aqueles que pensam que a queda do preço do barril de Petróleo levará à queda do preço dos combustíveis. Infelizmente, a lógica do mercado e do governo não é essa. Pelo contrário, o ministro de Minas e Energia chegou a cogitar o aumento da CIDE – imposto sobre combustível do governo federal – para manter os preços e aumentar a arrecadação, depois foi negado pelo governo, que vê nessa medida uma forma para uma eventual compensação com a diminuição dos rRoyalties caso se mantenha a queda do preço do barril.

Toda essa situação de vulnerabilidade da economia nacional é produto, primeiramente, de um modelo econômico que há anos vem sendo implementado pelos sucessivos governos e que transformou o Brasil numa plataforma de exportação de commodities ficando muito mais suscetível que outros países à especulação financeira. Porém, isso se aprofunda neste momento  com a instabilidade e insegurança política gerada pelo próprio governo Bolsonaro devido aos ataques constantes aos Direitos Humanos, às liberdades individuais, ao meio ambiente, que culminaram com a convocação de atos no dia 15 de março pelo fechamento do Congresso e do STF e para impor seu projeto de ditadura e escravidão, que gerou crise entre os poderes.

O governo, o Congresso, o mercado financeiro e a grande imprensa defendem unanimemente a continuidade das reformas e a aprovação de novas medidas para que os trabalhadores, os servidores públicos e o povo pobre paguem pela crise. O governo já anunciou que vai encaminhar a Reforma Administrativa, a Reforma Tributária para retirar direitos, enquanto nada faz contra os especuladores do mercado financeiro e libera crédito do Banco do Brasil e da Caixa para as empresas afetadas pela COVID-19.

Ainda não se sabe toda a dimensão e as consequências da epidemia mundial do COVID-19 e o desenvolvimento da crise da economia mundial e brasileira, mas sabemos que somente a organização e mobilização dos trabalhadores e da juventude podem barrar os ataques aos direitos sociais e trabalhistas e às liberdades democráticas e botar para Fora Bolsonaro, Mourão e Guedes e essa  política econômica entreguista e subserviente. É preciso unificar e construir um grande dia de luta no dia 18 de março, Greve Nacional da Educação e Dia Nacional Unificado de Luta das Centrais Sindicais. Todos às ruas construir a Greve Geral!