Alca e militarização da América Latina

Eua já têm 20 bases na AméricaCom a Alca, o imperialismo busca avançar seu controle militar sobre a América Latina. Sua presença está marcada por interesses geopolíticos e econômicos: monopólio do petróleo, da biodiversidade, das reservas de metais e água; domínio dos centros industriais e mercados; ou ainda controle do narcotráfico. A implementação desta estratégia tem levado à criminalização dos movimentos sociais, à destruição do meio ambiente e à perda da soberania dos povos

O Plano Colômbia foi o primeiro grande passo da nova política de militarização do continente e envolve 1,3 bilhão de dólares. Seu objetivo prevê a “modernização, reestruturalização e profissionalização“ (1) das Forças Armadas, dos aparatos repressivos e de inteligência.

Pretende a construção de bases militares, reaparelhamento da tropa, qualificação, treinamento e a reforma do corrupto e ineficiente poder judiciário dos países, colocando-os em consonância com o judiciário norte-americano.

Quer fazer com que o Estado colombiano controle todo o território nacional. Para isso, a derrota da guerrilha é fundamental, assim como o aniquilamento dos grandes cartéis do narcotráfico.

REGIONALIZAR O CONFLITO…

A partir do Plano Colômbia o objetivo é desenvolver a “regionalização do conflito“ com a “militarização do subcontinente“. A regionalização passa por estender o conflito aos países vizinhos e de tabela a presença militar norte-americana.

Os Estados Unidos já tem 20 guarnições na América do Sul, montando um cordão sanitário na região Amazônica. Em três estão estacionadas tropas norte-americanas: Vieques em Porto Rico; Guantánamo em Cuba e Soto Cano, em Honduras.

Outras três oferecem logística fundamental, são as bases aéreas de Manta (Equador), Rainha Beatrix (Aruba) e Hato (Curazao). Abrigam aeronaves de transporte e modernos F-16, preparam-se para receber aviões radar Awacs e aviões espiões Orion P-3 da marinha. Foram montadas em substituição à base de Howard, no Panamá. A idéia é que as três bases viabilizem duas mil missões anuais de rastreio e interceptação de aeronaves.(2)

A base de Manta serve como novo centro de operações dos EUA na região. É a melhor base da América do Sul, opera durante 24 horas por dia com qualquer tempo e tem capacidade de controlar o espaço aéreo em um raio de 400 km. Possui o Orion P-3 e em breve devem chegar os Awacs, os caças F-16 e F-15.

No Equador, são treinados militares técnicos em combate em selva, na Escola de Selva do Exercito de El Coca. No Peru, especialistas em combates fluviais, na base de treinamento de combatente naval “Riverine“, em Iquitos.

No Panamá, o governo aceitou a presença de 3 mil soldados norte-americanos para “limpar o terreno minado das bases“. Em Aruba e Curazao pretendem a presença de infantes da marinha, com lanchas e helicópteros, e soldados das Forças Especiais do Canal. Homens do Departamento de Estado atuarão em Porto Rico em contato com as bases do Departamento Anti-Drogras ( DEA) que já existem na Colômbia e na Amazônia peruana.

Na Colômbia, os contigentes norte-americanos se concentram na base de Tolemaida (Tolima) e na sede do Comando Especial do Oriente, em Três Esquinas (Caquetá). São soldados, instrutores militares e civis das Forças Especiais, da DEA e da Agência Central de Inteligência (CIA) que treinam e apóiam operações fornecendo informação em “tempo real“. A ultima novidade é a presença de um corpo militar especial norte-americano destinado a proteger o oleoduto Caño Limón-Coveñas.

Estão investindo também em militares colombianos com a formação dos Batalhões Moveis Antiguerrilha, na região do Guaviare, e do Batalhão Antidrogas, bem pagos, com técnicas especiais de combate, câmaras de visão térmica, lentes de visão noturna e helicópteros Black Hawk e aviões Fort Biss.

…E AUMENTAR A PRESENÇA MILITAR

Pretendem chegar na região a 17 guarnições terrestres de radar: três no Peru (Iquitos, Inapari e Puerto Esperanza), quatro na Colômbia (Três Esquinas, Leticia, San Jose del Guaviare e Marandua) e o resto móvel (duas secretas no Suriname e na Guiana Francesa duas em Riohacha e na ilha San Andres).(3) Trabalhariam em conjunto com pistas de pouso no Paraguai (Chacao), Bolívia (Cobija) e Honduras, na base de Soto de Cano. Junte-se a isso as faixas de aterrissagem Forward Operacion Locations (FOL), que necessitam de operativo mínimo, podem ser instaladas em pequenos territórios na fronteira e manter uma pequena frota aérea.

Este sistema seria coordenado pelo Plano Nacional de Radarização, estabelecido na Argentina, e coordenado em conjunto com o Pentágono, e o Projeto Sivan desenvolvido no Brasil, com capacidade de controlar 5 milhões de Km², também propiciará a Base de Alcântara, localizada na linha do Equador.

Junto com isso está se desenvolvendo o projeto Calha Norte e a Operação Cobra (Colômbia/Brasil),com novos quartéis e pretendendo levar à Amazônia 23 mil soldados, 32 radares, 20 postos de fronteira, 25 aviões Super-tucano e 3 navios patrulha.(4)
O outro lado do projeto abarca o crescimento de tropas no Cone Sul. Há planos para a militarização das região de Salta na Argentina, onde ocorreram as manobras “Cabañas 2001“ com 1,2 soldados latinos e 300 da Special Forces dos EUA.

A CIA e o Mossad (serviço secreto de Israel) já tem presença em Ciudad del Este na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, alegando a presença de terroristas árabes. A CIA tem publicamente uma estação de rastreamento eletrónico em Assunção.

O Paraguai recebeu em 1998 militares norte-americanos para manobras no Rio Paraguai e no Rio Paraná nas proximidades de Salto del Gauira, em abril de 2001 foram feitas manobras em Concepcion.

Em 2002 só não aconteceram as manobras militares em Las Misiones, na Argentina, pelas exigências de imunidade diplomática para as tropas norte-americanas.(5) Mas o governo de Duhalde já enviou um projeto de lei ao Congresso para organizar estes exercícios, aceitando todas as condições. No mesmo sentido, um decreto provincial aceitou a instalação de uma base norte-americana em Tierra del Fuego que irá realizar “estudos nucleares“.

NOTAS

1 Plan Colombia, Plan for peace, properity, and the strengtening of the state.
2 Jornal Zero Hora, Especial, 25 de Março de 2001, Humberto Trezzi.

3 De acordo com o Center of Internacional Policy for Desmilitarization, uma ONG
4 Folha de São Paulo, 11 de Dezembro de 2002
5 Diario La Jornada

Post author Américo Gomes,
de São Paulo
Publication Date