Acordo sobre o clima caminha para o fracasso

Caminha para um retumbante fracasso a Conferência da ONU sobre o clima, que será realizada em Copenhague, capital dinamarquesa, entre os dias 7 a 18 de dezembro.

A reunião, tida como a mais importante desde Kyoto em 1997, não terminará em novo acordo entre os países sobre emissões dos gases estufa, como por exemplo, o dióxido de carbono (CO²). Isso porque o principal poluidor do mundo, os Estados Unidos, recusam-se assinar qualquer acordo sobre o tema. No último dia 15, o presidente norte-americano, Barack Obama, ao lado de outros líderes, declarou que o encontro deve apenas resultar em uma declaração “politicamente vinculante”, ou seja, uma declaração de intenções, sem valor jurídico e absolutamente genérica.

Mais uma vez, os EUA estão impedindo a aplicação de qualquer política para reverter a atual catástrofe ambiental. Para preservar os lucros de suas empresas, recusam-se assinar mesmo um acordo rebaixado.

Na verdade, Obama repete uma prática muito habitual da administração republicana de George W. Bush, apesar de todo seu discurso de campanha prometendo reverter a política ambiental de seu país. O governo Bush se recusou a assumir as metas do Protocolo de Kyoto, apesar de serem extremamente rebaixadas e totalmente insuficientes para reverter as emissões de gases estufa. Kyoto previa uma redução média de 5,2% (entre 2008 e 2012) das emissões dos gases que provocam o efeito estufa, enquanto cientistas do Painel Intergovernamental em Mudança do Clima (IPCC) defendem uma redução em 50%. O rebaixado acordo fracassou quando Bush se recusou a ratificá-lo, alegando prejuízo para sua indústria. Agora Obama faz o mesmo, jogando uma pá de cal sob Copenhague.

Barbárie ambiental
Vivemos em uma verdadeira barbárie ambiental. A temperatura média do planeta subiu assustadoramente a partir da Revolução Industrial, levando a alterações climáticas profundas, que, por sua vez, estão causando secas, grandes inundações, transformando habitats e provocando doenças. Esse cenário é irreversível e, para ao menos ficar como está, será necessária uma redução dos níveis de emissão de CO² como recomenda o IPCC.

Mas além das insignificantes metas de redução decididas por acordos e conferências internacionais, a matriz energética do sistema capitalista continua a ser o petróleo, embora já exista a tecnologia necessária para passarmos a utilizar fontes limpas. Contudo, o capitalismo é incapaz de mudar sua matriz energética sem que isso não resulte numa grande catástrofe para a humanidade.

A escassez da água potável é hoje um fato incontestável e populações inteiras não tem mais acesso a ela. O problema é tão grave que representantes de 150 países estiveram reunidos em Istambul, Turquia, em março de 2009, em uma conferência chamada “Fórum Mundial da Água”.

No capitalismo, porém, a preocupação destes senhores não era matar a sede das pessoas, mas encontrar meios para que não falte água para o desenvolvimento industrial. Nessa linha, a solução para eles foi a sugerida pelo Banco Mundial que consistente em criar mecanismos que possibilitem a entrega da administração desse recurso natural ao setor privado. Ou seja, cada vez mais, a água terá poucos ou um só dono.

Hoje, praticamente, a água que não está poluída pelos dejetos da economia capitalista é dotada de valor econômico. Na prática, se você quiser beber água limpa, tem que pagar.

A hipocrisia do governo Lula
O Brasil vem contribuindo a cada vez mais com as emissões de gases-estufa. Enquanto nas nações mais industrializadas as emissões provêm principalmente da queima de combustíveis fósseis causados pela indústria, no Brasil o maior problema é o avanço das queimadas e do desmatamento, promovidos por madeireiros e pelo agronegócio. Lula, ao se aliar a latifundiários, não vem realizando nada para redução desse quadro.

O governo Lula presenteia com somas astronômicas as empresas que exploram monoculturas, especialmente soja, gado, eucalipto e cana-de-açúcar, destruindo lavouras e desalojando uma enorme população campesina.

Enquanto isso aumentou o desmatamento devido à rapinagem dos grileiros e sojeiros que vêm atuando na Amazônia, derrubando florestas para retirada ilegal de madeira e plantio de soja, garantindo assim o grande lucro do agronegócio. Como se não bastasse, Lula ainda liberou os transgênicos e afrouxou parte da legislação ambiental para proporcionar mais lucros.

Os representantes do agronegócio ficaram tão à vontade neste governo que agora pretendem até mudar o Código Ambiental brasileiro. Entre outras medidas, as mudanças – capitaneadas pelo atual ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, junto à bancada ruralista no Congresso – pretendem reduzir de 80% para 50% as áreas que não podem ser devastadas na chamada Amazônia Legal.

Por isso tudo é uma total hipocrisia quando o governo fala em redução de 80% do desmatamento da Amazônia. Também é hipócrita o anuncio de redução “voluntária” de 36,1% a 38,9% de suas emissões de CO2 até 2020 – proposta que será apresentada pelo Brasil em Copenhague.

Até Luiz Alberto Figueiredo, o chefe das negociações brasileiras nas reuniões que antecedem a conferência, diz que a proposta “não será uma meta” das ações do governo. Ou seja, estamos diante de mais uma declaração de intenções.

Para continuar a existir e garantir o privilégio de poucos, o capitalismo continuará a avançar sobre áreas que deveriam ser protegidas, usurpará recursos vitais, utilizando-os como matérias-primas, e ainda privatizará o que sobrar da natureza. Assim é o capitalismo, um sistema onde não espaço para nenhum tipo de “sustentabilidade”.