O grave acidente entre um caminhão e um ônibus, que transportava 53 trabalhadores e trabalhadoras, a maioria funcionários da empresa têxtil Stattus Jeans, resultou em 41 mortes e deixou 15 feridos. Das vítimas fatais, 37 morreram no local e as outras em hospitais da região. Todos os passageiros eram da cidade de Itaí, interior de São Paulo.

O acidente, ocorrido ontem na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho (SP 249), entre Taguaí e Taquarituna, foi o maior do ano.

O advogado da empresa Stattus Jeans Indústria e Comercio Ltda, Emerson Fernandes, disse ao UOL que o ônibus era uma espécie de “lotação” contratada pelos próprios funcionários, sem ligação direta com a empresa. “É importante dizer que o ônibus não tinha ligação com a empresa, era tipo uma terceirizada contratada pelos funcionários, como se fosse uma lotação para vir para o trabalho em Taguaí”, se apressou a declarar Fernandes à reportagem da UOL.

Já a Star Turismo, empresa dona do ônibus envolvido no acidente, informou que os dados do acidente estavam sendo apurados. O que se sabe é que o ônibus, que não tinha autorização para circular nem junto à Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) e nem junto à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), estava com documentos irregulares. O veículo, que invadiu a pista contrária chocando-se com a carreta de esterco, acumula 11 multas e estava com o IPVA, licenciamento e DPVAT atrasados, segundo informou o G1. Mais do que isso, o veículo pertence a uma empresa clandestina, que não tem registro.

Tragédia anunciada

A empresa têxtil, para onde seguiam os funcionários para trabalhar, lavou as mãos fugindo de maiores responsabilidades. Uma empresa clandestina e irregular transportava ilegalmente os trabalhadores. Na havia nenhuma fiscalização e controle por parte dos órgãos públicos e mesmo da empresa Sttatus Jeans.

Com tamanha negligência e descaso é impossível acreditar que esse bárbaro acidente seja fruto do acaso. Era uma tragédia anunciada.

A total falta de condições adequadas e seguras para o transporte dos funcionários, que foram vítimas de um brutal acidente do trabalho, mas sem direito algum. Negligência e descaso com a vida humana. Assim é o capitalismo, na sua ânsia de produzir mais a baixo custo e lucrar muito.

Os donos da indústria têxtil, que deveriam garantir um transporte digno para seus funcionários, se limitam a expressar solidariedade e socorro tardio às vítimas, mas tiram o corpo fora e querem se abster do dever de indenizações. Alegam, pela boca de seus advogados, que os próprios operários eram responsáveis pelo transporte até o trabalho e contrataram os serviços do ônibus irregular.

Querem se abster da responsabilidade pelo transporte dos operários, previsto na CLT e obscurecido pela reforma trabalhista de Temer.

A reação patronal é como uma fotografia do caráter desumano das relações capitalistas de produção, onde mesmo diante de uma tragédia a ganância e o lucro falam mais alto do que a vida humana.

A tragédia anunciada revela as condições insalubres e desumanas às quais se submetem os trabalhadores, que no caso provinham de Itaí, para preservar um posto de trabalho numa época de crescente depreciação da força de trabalho em que o emprego vem se tornando produto raro.

Some-se a isto a precariedade das estradas, produto da contenção dos investimentos públicos aliada ao desprezo das autoridades com a conservação das vias de acesso ao interior. Trechos com pistas simples que à noite ficam totalmente escuros, mal sinalizados, esburacados, com placas antigas ou ilegíveis, sem olho de gato, muitas vezes em curvas, são comuns nas SPs que cruzam a região, como a SP-249 (palco da tragédia desta quarta).

Este “acidente” fatal está inserido em um quadro geral nefasto que é o da reforma trabalhista, da flexibilização das Normas Regulamentadoras de Saúde e Segurança e do fim do Ministério do Trabalho, que era o principal responsável pela fiscalização nos locais de trabalho.

Um quadro de profundo descaso com o povo brasileiro. As reformas de Temer e do atual desgoverno do Bolsonaro, o desaparecimento da fiscalização do extinto Ministério do Trabalho facilitam esses acidentes criminosos.

Esse não foi o primeiro “acidente” e também não será o último, pelo menos enquanto perdurar esse sistema que só pensa no lucro e que trata a vida com desdém, como se os trabalhadores fossem apenas números ou peças descartáveis.

A Central Sindical e Popular CSP-Conlutas se solidariza com os familiares das vítimas e repudia a postura de indiferença e pouco caso das empresas capitalistas e dos governos em relação aos cuidados com o povo trabalhador.

-Indenização para as famílias dos mortos e para os mutilados!

– Atendimento completo de saúde e psicológico para as famílias!

– Averiguação, punição e prisão de todos os responsáveis seja no âmbito dos governos municipal, estadual e federal, e das empresas têxtil e de transporte!

– A vida dos nossos não irá em vão! Nossas vidas importam e têm de estar acima do lucro e da ganância dos patrões!